"Repetição" de eleições não reduz interesse dos espanhóis pela política

Antonia Méndez Ardila.

Madri, 24 jun (EFE).- A nova eleição geral na Espanha após o fracasso dos partidos políticos em formar o governo depois do pleito de 20 de dezembro não reduziu o interesse dos espanhóis pela política.

Apenas seis meses depois e pela primeira vez desde a restauração da democracia no país, em 1977, as eleições serão "repetidas", e os cidadãos voltarão a ouvir os mesmos candidatos.

Os 36,5 milhões de eleitores encaram a possibilidade de um parlamento fragmentado, com quatro grandes partidos e nenhum deles com possibilidades de governar sozinho, por isso serão imprescindíveis os pactos que não conseguiram há seis meses.

Segundo Belén Barreiro, diretora da empresa de pesquisas MyWord, o interesse pela política não diminuiu desde as últimas eleições, quando estava muito alto, mas "o que está pior é a avaliação da situação política".

Belén, que dirigiu o estatal Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), destacou o interesse dos jovens, que estão mais mobilizados do que no último pleito, em relação às gerações mais velhas, que mostraram menos engajamento.

Uma amostra desse interesse dos jovens pela política é o aumento de pedidos de votos pelo correio, que chegou a 1,45 milhão, 85,5% a mais que nas eleições de 20 de dezembro do ano passado, segundo dados do Ministério do Interior.

No entanto, o interesse pela política não equivale automaticamente a um aumento da participação. Todas as pesquisas apontam para uma abstenção em torno de 30%, três pontos a mais que há seis meses, quando foi de 26,79% do censo.

Segundo a chefe de Pesquisa da empresa de consultoria GAD3, Sara Morais, "há uma parte do eleitorado que já decidiu que não irá votar", por isso "o nível de participação será de cerca de 70%, três pontos a menos que em dezembro".

Um exemplo do interesse dos cidadãos por estas eleições é a atenção dada ao único debate televisionado entre os quatro principais candidatos: Mariano Rajoy (PP), Pedro Sánchez (PSOE), Pablo Iglesias (Unidos Podemos) e Albert Rivera (Ciudadanos).

O programa teve audiência média de 10,5 milhões e de 57% nas 17 emissoras em que foi transmitido, superior aos 9,6 milhões de espectadores que assistiram ao debate de dezembro, com uma audiência de 48,6% .

Além disso, no Twitter a hashtag #debate13J se transformou, durante as quase três horas de debate, no tema mais comentado na rede social.

A única diferença com relação às eleições de 20 de dezembro é que o Esquerda Unida e o Podemos, dois partidos à esquerda do socialista PSOE, participam deste pleito em coalizão.

Segundo as pesquisas, o Unidos Podemos ficará em segundo lugar, atrás do governista Partido Popular (de centro-direita) e à frente do PSOE, que ocupará o terceiro posto pela primeira vez desde 1977.

"O fundamental para entender o cenário das próximas eleições é a união entre IU e Podemos, que permitirá otimizar melhor o voto e conseguir maior número de cadeiras do que em dezembro. Esta variável será determinante para o resto de formações políticas: não tanto em porcentagem de voto, mas na repartição de cadeiras", afirmou Morais.

Com estas perspectivas, os quatro partidos principais trabalham para captar os votos desses indecisos que estão dispostos a participar da eleição.

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