Merkel diz que não vê "nenhuma maneira de reverter o Brexit"

Bruxelas, 29 jun (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira que não vê "nenhuma maneira de reverter" a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado "Brexit", e que não é o momento de criar expectativas, mas de assumir a realidade.

"Não vejo nenhuma maneira de reverter isto. Todos, também de olho nas relações futuras (com o Reino Unido), faríamos bem em levar em conta a realidade. Não é o momento das ilusões, mas de contemplar a realidade", disse Merkel na entrevista coletiva posterior à cúpula europeia na qual foi abordado o "Brexit" e que qualificou como "momento histórico".

Merkel declarou que no jantar da cúpula, na qual o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, deu explicações sobre o referendo, não foi comentada a possibilidade de Londres não ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa para iniciar o processo de separação com a União Europeia (UE).

"Também não considero possível. O referendo está aqui como uma realidade. Parto do fato de que se ativará o processo, mas após um tempo (de reflexão) no qual os peticionários decidam que relação querem" manter no futuro com a UE, acrescentou.

A chanceler acrescentou que os outros 27 líderes do bloco econômico deixaram claro a Cameron que não querem demorar no processo.

"Acredito que a antecipação das eleições dos conservadores para setembro é um indício que todos entenderam", a urgência de não atrasar inutilmente este processo, ressaltou Merkel.

A chanceler não quis revelar detalhes da conversa com Cameron, mas classificou o ambiente durante o jantar de "sério e amigável" e marcado pela consciência de que "é um evento triste, mas que é a realidade".

"Somos políticos. Não estamos aqui para perder muito tempo com a tristeza. Dissemos que lamentamos o resultado do referendo, mas temos que tirar as conclusões necessárias" e aplicar o voto a favor do "Brexit" no processo de saída da UE, insistiu.

Os líderes da UE também adotaram a posição comum frente a Cameron de que não haverá conversas formais nem informais até que seu sucessor tenha ativado o artigo 50, como deseja o ainda primeiro-ministro do Reino Unido.

"Podemos manter conversas bilaterais, mas não como se fossem negociações. Esperamos dos representantes britânicos que nos digam muito claramente que visão têm da saída da União Europeia", disse Merkel.

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