Relatório de Benghazi termina sem revelações que acusem Hillary

Washington, 28 jun (EFE).- Os congressistas republicanos que averiguam o ataque contra o consulado americano ocorrido em 2012 em Benghazi, na Líbia, apresentaram nesta terça-feira o relatório final do caso com novos detalhes sobre a noite do incidente, mas sem revelações que acusem diretamente a então secretária de Estado, Hillary Clinton.

O documento de 800 páginas, cuja elaboração levou dois anos e custou US$ 7 milhões, conclui que o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa e a CIA (agência de inteligência americana) não souberam prever o ataque nem reagir adequadamente.

Os democratas criticaram desde o início esta investigação por considerá-la uma estratégia partidária para desgastar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e para minar as chances eleitorais de Hillary Clinton, agora virtual candidata à Casa Branca para as eleições do dia 8 de novembro.

O atentado em Benghazi ocorreu em 11 de setembro de 2012, quando um grupo armado atacou o consulado dos EUA e nele morreram o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários americanos.

O congressista republicano Trey Gowdy pela Carolina do Sul, que lidera a comissão investigadora, insistiu nesta terça-feira para que os americanos leiam o relatório.

"Há nova informação sobre o que ocorreu em Benghazi e essa informação deve mudar fundamentalmente como veem o ocorrido", disse na entrevista coletiva de apresentação do relatório.

O relatório critica a atuação de Hillary antes e depois do ataque mais do que sua gestão durante o atentado em si e, em geral, foca as acusações contra o governo de Obama, que não calculou adequadamente o risco que corria o consulado.

O documento culpa o Departamento de Estado por não proteger adequadamente a sede diplomática, a CIA por não ter conseguido ver a ameaça e o Departamento de Defesa por não ter desdobrado a tempo seus efetivos militares.

"Por que seguimos lá, na Líbia, quando todos tinham ido", lamentou Gowdy nesta terça-feira.

No entanto, o relatório reconhece que as forças militares americanas mobilizadas na Europa não poderiam ter alcançado Benghazi a tempo para resgatar as quatro pessoas que morreram.

"Os recursos desdobrados pelo Departamento de Defesa não estavam prontos para chegar antes do ataque final. O fato de isto ser verdade não atenua a pergunta de por que a força militar mais poderosa do mundo não estava posicionada para responder", indica o relatório.

A virtual candidata democrata à Casa Branca considerou, após saber o resultado do relatório, que "é hora de seguir em frente" ao ressaltar a incapacidade do comitê especial para achar novos dados conclusivos contra ela.

"Desde o princípio disse que nada é mais importante que a segurança de nossos diplomatas e funcionários que viajam para outros países para defender os valores americanos. Por isso apoiei a criação de um comitê independente" que desse respostas ao ocorrido, insistiu a pré-candidata.

"(O comitê especial) não encontrou nada além do que já tinha sido achado pelo comitê independente e é hora de seguir em frente", disse Hillary no Colorado, ao ser perguntada pela imprensa sobre um de seus atos de campanha.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, considerou que os comitês do Congresso que estiveram envolvidos na análise do incidente em Benghazi "chegaram à conclusão que as teorias republicanas são fantasias por motivos políticos".

"Pensei que depois das primeiras cinco investigações isto teria acabado. Mas esta é a oitava", acrescentou o porta-voz, ironicamente.

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