EUA transferem dois presos de Guantánamo à Sérvia

Em Washington

  • Lucas Jackson/Reuters

O Departamento de Estado dos EUA anunciou nesta segunda-feira (11) a transferência à Sérvia de dois detentos da prisão de Guantánamo, em Cuba.

A mudança deixa em 76 o número de presos em Guantánamo, que chegou a abrigar 800 pouco após ser aberta, às ordens do então presidente americano, George W. Bush, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Os presos que serão transferidos à Sérvia são Muhammadi Davlatov, original do Tadjiquistão, e Mansour Ahmad Saad al-Dayfi, nascido no Iêmen, informou o Departamento de Estado.

Em 2009, Davlatov, também conhecido como Umar Abdulayev, de 37 anos, disse por intermédio do advogado que tinha tanto medo de voltar ao país natal que preferia passar o resto da vida em uma pequena cela na base militar americana do sudeste de Cuba.

A transferência de cada um dos detentos de Guantánamo foi estudada e aprovada separadamente por seis agências governamentais, detalhou o Departamento de Estado.

"Os Estados Unidos agradecem pela generosa ajuda da Sérvia e sua vontade de apoiar os esforços para fechar o centro de detenção de Guantánamo", afirma a nota.

Com a decisão de receber os presos, a Sérvia se torna o 30º país desde 2009 a aceitar um dos mais de 100 presos transferidos da base naval.

No domingo, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou a transferência do preso Fayiz Ahmad Yahia Suleiman de Guantánamo para a Itália.

Obama apresentou em fevereiro um plano para tentar fechar a prisão de Guantánamo com a mudança de 30 a 60 presos em território nacional e a libertação de outros, meta que esbarrou com a rejeição da oposição republicana no Congresso.

Na semana passada, o Congresso examinou e pediu mais informação ao governo sobre o desaparecimento de Abu Wael Dhiab, um ex-prisioneiro sírio de Guantánamo que foi transferido ao Uruguai no final de 2014, e cujo paradeiro está desconhecido após supostamente entrar no Brasil.

Além da resistência dos republicanos para julgar os presos em território americano, muitos legisladores temem que os réus de Guantánamo se unam a grupos jihadistas ao saírem da prisão.

Apesar dos impedimentos, o governo de Obama acelerou neste ano a mudança de prisioneiros para outros países e Guantánamo tem atualmente menos de 10% dos cerca de 800 presos inicialmente reclusos no local na década passada, a maioria sem sequer acusações.

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