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Sequestrado por mineiros, vice-ministro da Bolívia sofreu derrame cerebral

26/08/2016 12h29

La Paz, 26 ago (EFE).- O vice-ministro do Interior da Bolívia, Rodolfo Illanes, morreu vítima de um derrame cerebral após sofrer múltiplas agressões dos mineiros que o sequestraram na última quinta-feira, informou nesta sexta a Procuradoria de La Paz.

Um relatório legista preliminar afirma que a morte de Illanes ocorreu devido aos fortes golpes que sofreu, sobretudo na cabeça e no tórax, informou o procurador do Distrito de La Paz, Edwin Blanco, em entrevista à emissora de televisão "Cadena A".

"Ainda não temos o relatório oficial (...). De modo geral foi possível notar uma série de hematomas, ou seja, foi vítima de agressão física, agressão na cabeça e no tórax. Inclusive houve um derrame cerebral e costelas fraturadas", afirmou Blanco, acrescentando que "foi muito lamentável ver o corpo de uma autoridade nessas condições".

Segundo o procurador, os peritos legistas continuam trabalhando para produzir um relatório final sobre as causas da morte, enquanto a Procuradoria iniciou, desde ontem, a investigação para estabelecer as responsabilidades sobre os fatos.

O ministro do Interior da Bolívia, Carlos Romero, confirmou na noite de quinta-feira que Illanes foi "covardemente e brutalmente assassinado" enquanto estava sequestrado pelos mineiros.

O corpo do vice-ministro foi recuperado nesta madrugada em uma estrada da cidade de Panduro, a 180 quilômetros de La Paz, e levado à capital para que seja feita a autópsia.

Illanes foi ontem a Panduro para abrir um espaço de diálogo com os manifestantes das cooperativas mineiras que bloqueavam, desde terça-feira, as principais estradas bolivianas, em protesto contra uma lei promulgada pelo presidente Evo Morales.

Os mineiros rejeitam a norma porque estimula a formação de sindicatos nas cooperativas, o que consideram prejudicial para o funcionamento desse tipo de organizações.

O presidente Morales afirmou hoje que o assassinato de Illanes é "imperdoável" e decretou um luto nacional de três dias sem suspensão de atividades.

O Executivo determinou, além disso, que o velório se realize nas próximas horas no Palácio de governo em La Paz.