Líder das Farc pede perdão por dor causada pela guerrilha

Cartagena (Colômbia), 26 set (EFE).- O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverri, também conhecido como "Timochenko", pediu perdão nesta segunda-feira pela dor causada durante o conflito que durou mais de 52 anos, durante a cerimônia de assinatura do acordo de paz com o governo na cidade Cartagena, no norte do país.

Após ser intensamente aplaudido pelos convidados da cerimônia, "Timochenko" também pediu que ninguém duvide que os membros dessa guerrilha agora farão "política sem armas".

"Nós vamos cumprir nossa parte e esperamos que o governo cumpra a dele", afirmou o líder das Farc em discurso no qual fez uma alegação pacifista para o mundo.

"Hoje estamos em uma nova era de reconciliação e construção de paz", acrescentou "Timochenko", que também sugeriu que os colombianos se preparem "para desarmar a mente e os corações".

Neste sentido, destacou que a partir de agora "o fundamental está na implementação dos acordos" para que "o escrito no papel ganhe vida na realidade".

Para que isso seja possível, lembrou que será necessário que o povo colombiano se transforme "no principal fiador da materialização de todo o pactuado", em referência direta ao referendo sobre o acordo que será realizado no próximo domingo.

Além disso, admitiu que encontrou no presidente Juan Manuel Santos "um valente interlocutor" que foi capaz de "suportar com integridade as provocações dos setores belicistas".

"Timochenko" também agradeceu o apoio dos países fiadores, Cuba e Noruega, e dos acompanhantes, Venezuela e Chile, que estiveram representados por seus presidentes no palco onde se assinou a paz em Cartagena das Índias.

"Esta é a paz de nossa América e dos povos do mundo. É um transcendental passo adiante na busca de um país diferente", declarou, antes de fazer um pequeno resumo do texto do acordo.

Em seu discurso, o líder guerrilheiro também disse que impulsionarão um "pacto político nacional" para "tornar efetivo o compromisso de todos os colombianos para que nunca mais sejam utilizadas as armas na política".

Por último, "Timochenko" pediu que a segurança não dependa "tanto do tamanho das forças de segurança como do combate à pobreza, à desigualdade e à falta de oportunidades".

"Selamos nosso compromisso de reconciliação", frisou o líder guerrilheiro, cujo discurso foi interrompido no final pelo sobrevoo de aviões da força aérea colombiana que assustaram os presentes.

"Menos mal que é para saudar à paz e não para lançar bombas", brincou o chefe das Farc.

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