Parar a onda de violência na Colômbia, o argumento do "sim" no referendo

Ovidio Castro Medina.

Bogotá, 30 set (EFE).- A opção do "sim" no referendo da paz une quase todos os partidos do espectro político da Colômbia, que consideram o acordo assinado com as Farc uma oportunidade única para acabar com o conflito armado e começar a cortar uma onda de violência que deixou milhares de mortos.

Os favoráveis a essa opção argumentam que é "imperativo parar a guerra" de 52 anos com as Farc e por isso defendem a aprovação nas urnas do acordo de paz assinado nesta semana em Cartagena pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e pelo líder máximo da guerrilha, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko".

"É uma tentativa de colocar um fim ao conflito que deixou oito milhões de vítimas mediante reformas que são necessárias e que têm um cenário democrático, que serão altamente benéficas para o país", comentou o senador Ivan Cepeda, do partido de esquerda Polo Democrático Alternativo.

Cepeda, cujo pai, o também senador Manuel Cepeda Vargas, foi assassinado em Bogotá em 1994 por paramilitares em uma campanha contra a esquerdista União Patriótica, disse que a Colômbia é um dos países mais desiguais e lembrou que, segundo um censo agrário, 0,4% dos proprietários tem 40% das terras produtivas.

Assim como outros políticos, Cepeda considera a paz um "direito" acima de outros e acredita que tudo o que for feito para alcançá-la beneficiará as maiorias, principalmente os menos favorecidos, que são os que mais sofreram com o conflito, além de civis, militares, policiais e guerrilheiros.

Apesar de existir uma evidente polarização nas campanhas pelo "sim" e pelo "não", até agora não houve violência, fato a ser destacado se levado em conta que o país se acostumou a resolver suas diferenças pela força das armas.

"A Colômbia deve referendar o acordo, dar solidez, um apoio democrático muito amplo", declarou o ex-prefeito de Bogotá e ex-candidato presidencial Antanas Mockus, um dos líderes da campanha pelo "sim".

Para Mockus, o argumento mais contundente para aprovar o acordo no referendo é que "são muitas as vítimas que tivemos e muitas as vítimas que podemos evitar".

Segundo o relatório "Basta já", divulgado em 2013 pelo Centro Nacional de Memória Histórica, o conflito deixou pelo menos 220 mil mortos, 5,7 milhões de deslocados, 25.007 desaparecidos e 27.023 sequestrados, crimes em grande parte cometidos pelas Farc.

"Quando vocês depositarem o 'sim' e o 'sim' ganhar o referendo, as Farc vão desaparecer como grupo armado. Vocês vão salvar vidas. Pensem nisso, pensem na quantidade de vidas que se perderam nesta guerra, pensem que pode ser um de seus filhos, um irmão, um pai", manifestou na terça-feira passada o presidente Juan Manuel Santos.

Os partidários do "sim" argumentam que, se vencerem no domingo, os fuzis das Farc se silenciarão, mas o Estado ainda terá que enfrentar outras ondas de insegurança geradas pelos grupos criminosos, pelo tráfico de drogas e pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda maior guerrilha do país.

De acordo com a corrente do "sim", ao parar o confronto se abrirão novas oportunidades de desenvolvimento para o país porque parte do atraso do campo, onde surgiram as Farc, se deve ao fato de que as condições de segurança não permitiam o investimento e a construção de obras de infraestrutura em algumas regiões.

Isso sem contar que a despesa militar comprometeu durante décadas boa parte do orçamento nacional, relegando a um segundo plano o investimento em educação e saúde, uma equação que o atual governo se propôs a mudar.

Talvez a imagem que melhor retrate os novos tempos esperados pelos partidários do "sim" a da assinatura do acordo de paz, para o qual Santos e "Timochenko" usaram um "balígrafo", uma caneta com uma cápsula de munição de fuzil que simboliza, nas palavras do presidente, "a transição das balas à educação, ao futuro".

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