Duterte quer que tropas dos EUA saiam das Filipinas em 2 anos

Em Tóquio

  • /David Mareuil/Reuters

    O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, faz discurso após encontro com o premiê do Japão, Shinzo Abe, em Tóquio

    O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, faz discurso após encontro com o premiê do Japão, Shinzo Abe, em Tóquio

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, expressou nesta quarta-feira (26) seu desejo de pôr fim à presença militar americana neste país "nos dois próximos anos", e afirmou que para isso revisará ou derrogará os acordos bilaterais existentes.

"Declarei que seguirei uma política externa independente. Quero que, talvez nos dois próximos anos, meu país fique livre da presença de tropas militares estrangeiras", afirmou Duterte em um fórum econômico realizado hoje em Tóquio, durante sua visita de três dias ao Japão.

"Quero que vão embora e se para isso tiver que revisar ou derrogar acordos ou acordos executivos, farei", afirmou o líder filipino em uma aparente alusão ao EDCA (Pacto Melhorado de Cooperação em Defesa).

Duterte insistiu assim na mensagem de afastamento em matéria de segurança com os Estados Unidos que veio expressando desde o início de seu mandato, e que recalcou durante sua visita à China na semana passada.

Em seu discurso perante empresas, entidades financeiras japonesas e altos cargos do Executivo japonês, reconheceu a contribuição dos Estados Unidos como "grande país que ajudou as Filipinas de muitas formas", mas afirmou que Manila "pode sobreviver sem a assistência americana, embora poderia haver menor qualidade de vida".

Quanto à aproximação a Pequim, Duterte afirmou que "quer ser amigo" do gigante asiático e acrescentou que "não necessita de armas e nem mísseis estabelecidos" em seu país, uma referência ao maior desdobramento militar americano nas Filipinas para resistir o auge da China na região.

O EDCA, assinado entre Manila e Washington em 2014 e negociado por seu antecessor, Benigno Aquino, permite aos EUA utilizar durante 10 anos bases filipinas e aumentar sua presença em uma região imersa em uma disputa territorial no mar da China Meridional entre China e Filipinas, Vietnã, Brunei, Malásia e Taiwan.

O líder filipino fez estas declarações em um ato realizado pouco antes de sua reunião com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Durante essa reunião, Abe deve sugerir a Duterte que repare suas relações com os Estados Unidos após estas e outras declarações nas quais manifestou sua hostilidade rumo a Washington, segundo anteciparam fontes governamentais japonesas.

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