Santos: "Novo acordo de paz deve estar pronto antes do fim de novembro"

Bogotá, 28 out (EFE).- O novo acordo de paz do governo da Colômbia com a guerrilha das Farc deve estar concluído antes do fim de novembro, disse o presidente Juan Manuel Santos em entrevista exclusiva à Agência Efe.

"Reiniciamos um processo que deve terminar muito em breve, nas próximas semanas, não meses, mas semanas, para poder implementar a paz também o mais breve possível", afirmou o presidente ao se referir ao apoio que recebeu da comunidade internacional, especialmente dos que participam a parti de hoje da XXV Cúpula Ibero-Americana.

Ao ser perguntado se no próximo dia 10 de dezembro, quando receber em Oslo o Prêmio Nobel da Paz, anunciará ao mundo esse novo acordo, o presidente se absteve de falar em datas, mas disse que pode ser antes.

"Espero que esse novo acordo já pelo menos esteja sobre a mesa até essa data, não sei se colocado em prática, eu acredito que colocá-lo em prática iria precisar de um pouco mais de tempo, ou de repente sim, mas o objetivo do texto e de um novo acordo é que estejam prontos antes do fim de novembro", explicou Santos.

Após a rejeição ao acordo de paz assinado com as Farc no referendo do dia 2 de outubro, o presidente colombiano convocou um grande pacto nacional com diferentes forças políticas e setores sociais do país para escutar as objeções e propostas ao documento, que seus negociadores levaram na semana passada a Havana para discutir com as Farc e procurar um novo texto.

Neste diálogo nacional têm grande peso os ex-presidentes Álvaro Uribe (2002-2010), senador e líder do partido Centro Democrático; e Andrés Pastrana (1998-2002), do Partido Conservador, dois do líderes visíveis da campanha pelo "não" no referendo, e com quem Santos se reuniu dois dias após a consulta popular.

"Se há boa vontade de parte deles, sim podemos obter facilmente um novo acordo porque muitos dos temas que eles mencionaram são temas que podem ser incorporados nos acordos sem modificar sua essência básica; depende de sua vontade e de sua verdadeira intenção, se for certo que eles querem um acordo e um acordo rápido vamos ter sinal verde muito em breve", garantiu Santos.

Da mesma forma, ele acrescentou que nos primeiros contatos que seus negociadores tiveram com as Farc nesta segunda etapa em Cuba encontraram uma guerrilha disposta a escutar as cerca de 500 propostas da sociedade colombiana para revisar o documento.

"Encontramos uma boa disposição por parte das Farc porque eles também se dão conta que o resultado do referendo é um resultado que temos que respeitar e, por isso, temos que buscar a forma de apresentar à Colômbia e ao mundo um novo acordo", afirmou Santos.

O presidente da Colômbia lembrou que "o tempo conspira contra o processo" e por isso é tão importante avançar rapidamente rumo a um novo acordo porque, por exemplo, o cessar-fogo bilateral atualmente em vigor com as Farc é "muito frágil", e apesar dos protocolos aplicados para seu rigoroso cumprimento e da supervisão internacional, "qualquer coisa pode acontecer" e é melhor não correr riscos.

"Eu farei todo o possível, tudo o que estiver a meu alcance, estou fazendo isso 24 horas por dia e sete dias por semana para fechar um novo acordo o mais em breve (...) Para este país seria fatal que isto se rompesse e voltássemos à guerra com as Farc, seria uma catástrofe, por isso eu estou confiante em que vamos consegui-lo", enfatizou Santos.

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