Foro denuncia no Brasil "perseguição" aos opositores em países bolivarianos

Eduardo Davis

Brasília, 31 out (EFE).- Ativistas de países da América Latina denunciaram nesta segunda-feira as supostas "perseguições judiciais" que sofrem os opositores aos governos do arco bolivariano, durante a abertura de um "Foro Internacional por la Democracia" realizado em Brasília.

O fórum reúne ativistas da Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Paraguai e Venezuela, que durante dois dias debaterão as alegadas falta de liberdades e violações de direitos humanos nos países cujos governos se alinham na "nova esquerda latino-americana".

O encontro foi promovido pelo movimento "Nas Ruas", um dos grupos que pressionava por um impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff, que ocorreu em 31 de agosto e deixou no poder o conservador Michel Temer.

No primeiro dia do evento, a maioria dos oradores se centrou no que foi qualificado como "perseguição judicial" contra os opositores, identificado como um problema comum em todos os países bolivarianos.

"Nas ditaduras militares perseguia-se com o sabre. Agora persegue-se com os tribunais, através de uma justiça manipulada. A única coisa que mudou é o modo de perseguir", afirmou na abertura do fórum o ativista boliviano David Sejas, opositor ao governo de Evo Morales e refugiado no Brasil há cerca de seis anos.

O caso da Bolívia também foi exposto pelo ex-senador desse país Roger Pinto, refugiado no Brasil desde 2013, quando sua fuga da embaixada brasileira em La Paz, na qual esteve amparado durante mais de um ano, causou um sério conflito diplomático bilateral que acabou com a queda do então chanceler brasileiro Antonio Patriota.

"Somente no caso da Bolívia há cerca de 1,2 mil pessoas que foram obrigadas a fugir e se refugiar em outros países", disse Pinto, que indicou que há opositores a Morales nessa condição no Brasil, México, Colômbia, Peru, Estados Unidos e Espanha.

Em declarações à Agência Efe, Pinto disse que na Bolívia "ocorre o mesmo que em muitos países bolivarianos", entre os quais citou os casos da Venezuela, Equador e Nicarágua.

Nessas nações, segundo Pinto, "os governos se apropriaram da Justiça e a usam para se desfazer da oposição", fazendo com o que "o debate político levado aos tribunais seja usado para inventar pretextos que permitam perseguir os que pensam diferente".

Pinto também qualificou de "fachada democrática" as eleições que são realizadas periodicamente nesses países, nos quais afirmou que "não existe nenhuma independência de poderes" e as autoridades, sejam judiciais ou eleitorais, são "tuteladas" pelos governos.

"Além das convocações às urnas, que usam como desculpa para supostamente se legitimar, estamos diante de verdadeiros sistemas totalitários", sustentou o ex-senador, que fugiu da Bolívia depois que o governo denunciou a suposta corrupção em 23 processos diferentes.

No fórum estava prevista a assistência de uma delegação das "Damas de Branco", um movimento que agrupa esposas e familiares de presos políticos cubanos, e de outros membros da oposição da ilha governada por Raúl Castro.

No entanto, a ativista brasileira Carla Zambelli, uma das promotoras do fórum, explicou à Efe que nenhuma delas pôde viajar pois "o governo cubano demorou para dar a autorização" necessária no caso da ilha.

Ao invés das "Damas de Branco", em representação de Cuba se apresentou a jovem havanesa Zoe Martínez, de 17 anos e refugiada no Brasil com seus pais desde 2011.

Martínez garantiu que a ausência das "Damas de Branco" foi o resultado de um "veto" do governo cubano, que na sua opinião é um "reflexo" da "censura política" que impera na ilha e das restrições que são impostas às liberdades.

"Em Cuba existem duas oposições. Uma passiva e outra ativa. E os ativos são reprimidos brutalmente somente pelo fato de pensar diferente", declarou Martínez, que apontou que esses opositores que "mostram seus caras" são "ameaçados e vigiados 24 horas por dia".

Segundo explicaram à Efe os promotores do fórum, as conclusões dos dois dias de debates serão divulgadas em um documento que será revelado na terça-feira e depois enviado, a título de "denúncia", a diversos organismos internacionais, como a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

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