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Putin ratifica saída de tratado com os EUA de reconversão de plutônio militar

31/10/2016 12h39

Moscou, 31 out (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, promulgou nesta segunda-feira uma lei que suspende o tratado com os Estados Unidos de reconversão de plutônio militar em combustível nuclear para uso pacífico.

Putin, que lembrou na semana passada a importância desse documento para a "segurança internacional", acusa os EUA de "descumprir" os compromissos adquiridos por meros motivos financeiros.

"Nós gastamos dinheiro e construímos uma usina (de reconversão). Por acaso somos mais ricos que os EUA? Isso ocorre desta maneira em muitos casos", disse o presidente russo.

O chefe do Kremlin advertiu que, ao optar pela reciclagem do material radioativo em vez de sua destruição industrial, Washington se dá o direito de reutilizar "em qualquer momento" o plutônio com fins militares.

"Os Estados Unidos conduzem hoje uma política que transforma em utopia a esperança de retornar à cooperação neste assunto delicado", disse Leonid Slutski, chefe do comitê de Assuntos Internacionais da Duma, a Câmara dos Deputados da Rússia, que aprovou essa lei em meados de outubro.

Putin remeteu à Duma no princípio de outubro o projeto de suspensão do tratado, que é parte do programa de desarmamento estratégico iniciado por ambos os países desde o fim da Guerra Fria.

Como condição para retornar ao tratado, o Kremlin apresentou uma série de exigências como o fim das sanções e compensações financeiras pelas perdas causadas pelas mesmas à Rússia, mas Moscou admitiu desde um primeiro momento que não esperava que Washington as aceitasse.

Entre elas também figurava a reivindicação de retirar as tropas e o armamento dos Estados Unidos desdobrados nos países da Europa do Leste que entraram na Otan neste século, como é o caso dos três países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e Polônia.

O tratado foi assinado há 15 anos e os dois países se comprometiam a reconverter 34 toneladas de plutônio militar utilizado na fabricação de bombas atômicas em combustível de uso pacífico MOX, uma mistura de óxido de urânio e óxido de plutônio.

No início deste mês, o governo russo também suspendeu o acordo com os Estados Unidos de cooperação em matéria de pesquisa nuclear e energética, em resposta às sanções adotadas pelo governo americano após a crise ucraniana.

Recentemente, o último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, pediu aos líderes de ambos os países que renunciassem ao antagonismo e resgatassem o diálogo em todos os âmbitos, mas sobretudo no que corresponde à não-proliferação nuclear.

No início de outubro, completaram 30 anos do histórico encontro entre Gorbachev e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, em Reykjavik (Islândia), que assentou as bases para o início do processo de desarmamento nuclear entre as duas potências da Guerra Fria.