Rússia pede a governo sírio que detenha operações aéreas em zonas de trégua

Genebra, 22 fev (EFE).- A Rússia pediu formalmente ao governo da Síria que detenha qualquer operação militar aérea nas zonas em que vigora o cessar-fogo, enquanto durarem as negociações de paz que começam amanhã em Genebra, na Suíça, disse nesta quarta-feira o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

Segundo o diplomata, a Rússia anunciou momentos antes - em uma reunião na qual participaram cerca de 20 países com influência no conflito sírio - que tinha pedido ao regime do presidente sírio, Bashar al Assad, que "silenciasse os céus" da Síria.

De Mistura contou que Moscou também está pedindo um gesto similar da oposição armada no terreno militar - considerando que estes não têm nenhum tipo de poder aéreo - e "que evitem qualquer tipo de provocação" que possa levar ao fracasso das conversas diplomáticas.

O diplomata da ONU informou em entrevista coletiva que boa parte dos participantes das negociações já se encontram em Genebra e que alguns chegarão na quinta-feira.

Ainda não está definido se as negociações serão diretas - com as delegações rivais reunidas em uma mesma sala - ou indiretas, como ocorreu nas três rodadas realizadas no ano passado.

Isso obrigava De Mistura a deslocar-se de um ambiente para o outro para levar e trazer as posições das partes em conflito.

Nesta ocasião, De Mistura não espera progressos imediatos e considera que amanhã será na realidade o início de uma série de conversas que tentarão levar a paz para a Síria, onde a guerra civil completará seis anos em meados de março.

"Não espero nenhum progresso imediato, mas que seja o início de uma série de rodadas nas quais possamos avançar em temas substantivos", comentou o diplomata.

No entanto, o representante da ONU enfatizou a transcendência das conversas que estão a ponto de serem retomadas por considerar que estas ocorrem em um momento no qual a trégua que vigora em grande parte da Síria oferece uma oportunidade para que o processo político possa levar a resultados concretos.

"O impulso político dá razão de ser ao cessar-fogo e vice-versa", sintetizou o enviado da ONU.

De Mistura advertiu, no entanto, que alguns tentarão boicotar os esforços de paz e provocarão situações para tentar forçara saída de alguma das partes nas negociações.

Por outro lado, o mediador disse que tem conhecimento que metade da delegação da oposição síria está composta por representantes de grupos armados.

"A oposição expandiu a participação dos grupos armados e estes representam mais de 50% da delegação (negociadora)", comentou De Mistura.

"Os que lutam e morrem (no campo de batalha) querem negociar e o presidente Assad disse também que quer negociar com aqueles que o combatem", acrescentou o enviado especial das Nações Unidas.

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