Presidente peruano diz a Trump que EUA se beneficiam de comércio e imigração

Mario Villar.

Nações Unidas, 24 fev (EFE).- O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, destacou nesta sexta-feira os benefícios que o comércio exterior e a imigração latina deram aos Estados Unidos, coincidindo com sua visita ao presidente Donald Trump.

Em entrevista à Agência Efe horas antes desse encontro, o presidente peruano defendeu a necessidade de trabalhar com Washington nesses dois âmbitos, dois assuntos nos quais a presidência de Trump gerou grande incerteza.

Kuczynski, primeiro líder latino-americano que viaja aos EUA para se reunir com o novo presidente americano, ressaltou a importância de conversar com ele sobre "alguns temas quentes".

"O multilateralismo, sobretudo em temas comerciais, e ter uma política nas questões de imigração que seja viável", estão entre essas prioridades, segundo Kuczynski, que também incluiu a situação na Venezuela e seu impacto para o resto do continente.

Sobre a questão comercial, na qual Trump está apostando por mudanças substanciais para tentar trazer os empregos de volta a seu país e reduzir o déficit comercial, Kuczynski lembrou que o Peru compra "muitas coisas dos Estados Unidos".

"Os Estados Unidos têm um superávit com o Peru, assim, de certa forma, os estamos ajudando", destacou o chefe de Estado peruano.

Para o Peru, os EUA são, depois da China, o segundo maior parceiro comercial, e o governo expressou abertamente seu interesse em proteger o livre-comércio nas Américas e no mundo.

Quanto aos assuntos migratórios, Kuczynski ressaltou a necessidade de trabalhar com Washington e deixou claro que está "a favor da imigração legal, não da ilegal".

O governo Trump, que fez campanha com uma linguagem dura contra a imigração, aprovou nos últimos dias novas diretrizes para fortalecer o controle migratório, com um plano que inclui acelerar o processo de deportação de imigrantes ilegais e contratar 15 mil novos agentes.

"O Peru tem 2 milhões de peruanos que vivem fora do país, inclusive mais de 1 milhão somente aqui nos Estados Unidos, e são cidadãos peruanos, temos que protegê-los", afirmou hoje Kuczynski.

Perguntado pela retórica de Trump em matéria de imigração, o presidente peruano destacou que é importante valorizar as contribuições positivas que os imigrantes fizeram aos EUA.

"Obviamente, nós não somos conflituosos, mas temos que lembrar várias coisas. Primeiro, a migração latina aos Estados Unidos contribuiu para rejuvenescer a população", opinou o chefe de Estado peruano.

Sobre o encontro entre Trump e Kuczynski ainda existe a sombra do caso do ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que vive nos EUA e que é acusado no Peru de ter recebido US$ 20 milhões em propina da construtora brasileira Odebrecht.

Em uma conversa telefônica em 12 de fevereiro, Kuczynski já conversou com Trump sobre a possibilidade de uma deportação de Toledo, mas não deve voltar a tocar no assunto desta vez.

"Se ele me perguntar, explicarei o que está ocorrendo no Peru, mas nós seguimos os preceitos legais. Há processos para estas coisas", disse à Efe o mandatário peruano.

A visita de Kuczynski aos Estados Unidos começou hoje com uma breve parada na sede das Nações Unidas, onde o presidente peruano se reuniu com o novo secretário-geral da organização, o português António Guterres.

Kuczynski aproveitou o encontro para ressaltar ao diplomata português o apoio do Peru ao multilateralismo, "que custou tanto trabalho desde 1945 para fazê-lo arrancar no mundo e é fundamental para a prosperidade dos países", afirmou.

O Peru se prepara atualmente para disputar um lugar no Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente, um posto para o qual já conta com o apoio dos países latino-americanos e do Caribe e ao qual concorrerá sem oposição nas eleições do próximo mês de junho.

Sobre esse biênio no principal órgão de decisão das Nações Unidas, Kuczynski garantiu que o principal interesse do Peru está na paz e na resolução da crise dos refugiados.

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