Trump diz que Comey pode ter mudado relato ao acreditar que havia gravações

Washington, 23 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu em uma entrevista divulgada nesta sexta-feira que falou da possível existência de gravações de suas conversas com James Comey para pressionar o ex-diretor do FBI, dizendo que é possível que tenha mudado a versão dos fatos ao pensar que tinha sido gravado.

"Quando ele (Comey) foi informado de que poderia haver gravações, sejam governamentais ou qualquer outra, quem sabe, acredito que a história contada pode ter mudado", comentou Trump durante uma entrevista ao programa de televisão "Fox and Friends".

"A minha história não mudou. A minha história foi sempre uma história sincera. A minha história foi sempre a verdade", defendeu Trump.

O presidente concluiu na quinta-feira um mistério que ele mesmo tinha criado ao admitir que não tem gravações de suas conversas com Comey, sem descartar que elas possam existir.

"Com toda a vigilância eletrônica, intercepções, desmascaramentos e vazamentos ilegais de informações recentemente reportadas, não tenho nem ideia se há gravações das minhas conversas com James Comey, mas eu não fiz. Não tenho nenhum tipo de gravações", declarou Trump na sua conta do Twitter.

Na entrevista com a rede "Fox", Trump seguiu falando da possibilidade de haver gravações de seus encontros com Comey, ainda que ele não as tenha.

Ao comentar que leu nos últimos meses sobre "vigilância em todos os lugares", Trump disse que "nunca se sabe que há lá fora, mas eu não gravei".

Foi o próprio Trump que insinuou há semanas a possibilidade da existência de gravações de suas conversas com Comey, que dirigia o FBI até que o governante decidiu demiti-lo de maneira supreendente no começo de maio.

Em 12 de maio, três dias após a demissão de Comey, Trump lançou no Twitter um comentário interpretado em seguida como uma ameaça. É melhor que não haja fitas das nossas conversas, antes que comecem a passar para a imprensa".

Durante o comparecimento no início deste mês perante o Comitê de Inteligência do Senado, Comey afirmou que adoraria que fosse confirmada a existência de gravações de seus encontros privados com Trump. "Meu Deus, espero que essas fitas existam".

Comey tomou nota das conversas que manteve com Trump enquanto era o chefe do FBI e, nesse testemunho perante o Senado, declarou que o presidente o pressionou para "dissipar a nuvem" causada pela investigação sobre a alegada ingerência russa nas eleições de novembro e os possíveis contactos entre a sua campanha e o Kremlin.

Essa investigação está agora em mãos do ex-diretor do FBI Robert Mueller, cuja amizade com Comey é considerada "muito frustrante" por Trump, segundo expressou na entrevista à "Fox'.

Trump assegurou, de novo, que ele não tentou obstruir a Justiça, uma possibilidade que surgiu por causa do testemunho de Comey perante o Senado e que, segundo relatórios de imprensa, está sendo investigada por Mueller.

"Não houve obstrução, não houve complô (com a Rússia). Houve filtragem (de informação confidencial) por parte de Comey, mas não houve nem complô e nem obstrução, e praticamente todo mundo está de acordo com isso", disse o governante.

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