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Doria leva plano de privatização em São Paulo a empresas espanholas

06/07/2017 17h30

São Paulo, 6 jul (EFE).- O prefeito de São Paulo, João Doria, se disse disposto a levar adiante o "maior programa de privatização" de uma cidade brasileira, o qual, conforme explicou em entrevista à Agência Efe, teve uma resposta "boa" e até "surpreendente" por parte das empresas com as quais se reuniu, entre elas as espanholas.

No governo da cidade há seis meses, Doria se reuniu nas últimas semanas com representantes de várias empresas espanholas para apresentar "as boas oportunidades" que São Paulo oferece "para o investimento privado", como afirmou.

O prefeito quer ceder à iniciativa privada parte dos ativos da cidade, desde o Sambódromo até o serviço funerário.

No total, serão oferecidos 55 projetos "diversificados" através das concessões, das privatizações e das alianças público-privadas, com os quais espera arrecadar R$ 7 bilhões que serão destinados a saúde, educação, moradia, transporte e segurança urbana.

Na lista de prioridades do governo municipal está a concessão de parques públicos, do estádio do Pacaembu e de cemitérios.

"Nunca houve um plano de privatização tão amplo. Os empresários se surpreendem, o veem com bons olhos", ressaltou Doria, que venceu as eleições municipais com uma mensagem de "bom administrador", distante da política tradicional.

Milionário e empresário do setor da publicidade, Doria esclarece que "não se trata de um slogan" e disse que, diferente dos políticos, ele não "convive" com a burocracia.

"Os políticos estão acostumados à burocracia, eu não. Faremos tudo o que possamos para agilizar sem perder a transparência", explicou o prefeito.

Doria, cujo nome aparece em apostas para as eleições presidenciais de 2018, pretende concluir seu plano de privatização antes de terminar sua gestão, em 2020, para quando espera um "Estado menor".

"O processo de privatização pode e deve diminuir a corrupção. O Estado gordo é mais ineficaz e convida à corrupção. O Estado menor é mais eficiente e a possibilidade de corrupção diminuem", explicou o prefeito.

Doria admitiu que, sem a instabilidade política, o interesse privado "certamente" seria maior, mas destacou que "continua sendo grande", porque "os investidores pensam a longo prazo".

Apesar da turbulência política, o prefeito, que diz trabalhar 17 horas por dia, pretende conceder durante sua gestão cerca de 50 projetos para a iniciativa privada, entre os quais estão a concessão dos terminais de ônibus, mercados municipais e cartões do sistema de transporte.

O pacote inclui também a privatização do Autódromo de Interlagos - palco do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 -, da empresa de eventos e turismo de São Paulo (SPTuris) e um fundo imobiliário com cerca de 1.200 imóveis subutilizados.

Doria, do PSDB, explicou que também será concretizada a "maior parceria público-privada do mundo "na área de iluminação pública, com mais de 650 mil pontos de iluminação led na cidade.

O prefeito acredita que "aparentemente" as privatizações não causarão "prejuízo social" e, no caso de se identificarem problemas para os cidadãos, eles "serão corrigidos".