Governo da Bolívia nega ter enviado militares à Venezuela para reprimir civis

La Paz, 12 jul (EFE).- O governo e as Forças Armadas da Bolívia negaram nesta quarta-feira ter enviado 300 militares à Venezuela para reprimir a população civil, como afirmou a deputada opositora Norma Piérola em declarações aos meios de comunicação e nas redes sociais.

O ministro de Defesa boliviano, Reymi Ferreira, disse em uma entrevista coletiva que a acusação de Norma gerou um "grande desconforto" nas Forças Armadas de seu país e deve ser "desmentida" porque, ainda que a versão não tenha sido levada em conta na imprensa local, foi publicada em alguns veículos internacionais.

Ferreira expressou essa posição em uma entrevista coletiva junto ao comandante interino das Forças Armadas, o general Melvin Arteaga, na qual também ameaçou processar a deputada se em dez dias ela não apresentar provas de sua denúncia de que foram enviados 300 militares e equipamento anti-motim.

Norma, que é uma ferrenha opositora do governo de Evo Morales, publicou nesta semana em sua conta do Twitter que existem "mais de 300 militares bolivianos lotados na Venezuela", reproduzindo uma entrevista que deu ao jornal venezuelano "Quinto día".

A deputada disse que obteve essa informação de forma "extraoficial" de militares bolivianos e acrescentou que era uma "ação totalmente ilegal, inconstitucional", pois a permissão do Parlamento era necessária para mobilizar esse número de agentes.

A opositora relacionou essa suposta operação à aliança que existe entre Morales e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Ferreira afirmou que a acusação é uma "infâmia" e constitui uma "provocação", pois na Venezuela já há adidos militares e um grupo de cadetes da Bolívia, que agora estão em risco.

"Estão gerando uma animosidade contra os bolivianos que moram na Venezuela, especialmente contra os militares que estão lá. Levando em conta a situação arriscada na polarizada situação política, isto constitui um ato irresponsável", disse o ministro.

Por sua vez, Arteaga explicou que as Forças Armadas têm na missão diplomática em Caracas quatro oficiais, um deles como adido de Defesa e os outros três como funcionários adjuntos.

Além disso, na Venezuela há nove cadetes em função de seus estudos, um na Academia da Marinha e oito no Instituto da Força Aérea desse país, grupo que concluiu sua formação e deve retornar à Bolívia na próxima terça-feira, segundo o chefe militar.

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