Especialista em desarmamento se prepara para assumir embaixada russa nos EUA

Virgínia Hebrero.

Moscou, 24 jul (EFE).- Um veterano diplomata especializado em desarmamento, Anatoly Antonov, deverá ser o substituto como embaixador russo em Washington do polêmico Serguei Kisyliak, que ficou no olho do furação da suposta ingerência russa nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Ainda que a nomeação oficial ainda não tenha ocorrido, meios de comunicação, especialistas e responsáveis políticos dão como certo que o novo representante russo perante a Casa Branca será Antonov, uma escolha controversa quando se leva em conta que em 2015 foi incluído pela União Europeia na lista de sancionados pela política de Moscou com a Ucrânia.

Antonov era então vice-ministro de Defesa, razão pela qual, segundo Bruxelas, esteve implicado no desdobramento de tropas russas na Ucrânia e na anexação da Crimeia.

"O anúncio sobre o novo embaixador (nos Estados Unidos) acontecerá logo, quando o presidente considerar conveniente", respondeu nesta segunda-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, perante a insistência dos jornalistas em confirmar o novo enviado a esse país.

Ainda que Peskov não tenha citado nomes, há vários meses se fala de Antonov, atual vice-ministro de Relações Exteriores, para substituir Kisyliak, que no último sábado retornou a Moscou após nove anos nos EUA.

Segundo os meios de comunicação oficiais russos, a candidatura de Antonov como embaixador em Washington já foi aprovada em maio a portas fechadas pelo Comitê de Assuntos Exteriores da Duma (câmara baixa do parlamento russo).

Além disso, o embaixador dos EUA em Moscou, John Tefft, examinou na semana passada com o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, a designação de Antonov como o novo enviado diplomático russo em Washington.

"Ontem me reuni com o ministro de Relações Exteriores russo, Lavrov, e conversamos sobre a diferença entre as nomeações de embaixadores na Rússia e nos EUA e, em particular, examinamos a designação de Antonov", disse Tefft aos jornalistas.

Para o vice-ministro de Exteriores, Serguei Riabkov, Antonov é "uma ótima escolha".

"O fato de que tenha trabalhado seis anos como vice-ministro de Defesa é uma experiência preciosa para a sua futura atividade em Washington. E a isso se acrescenta o fato de que é um magnífico negociador. Conhece muito bem o nosso sistema por dentro, e isto vai lhe ajudar muito no seu trabalho", assegurou em uma entrevista à emissora de televisão "Rossia 1".

Também esclareceu que "Anatoly Ivanovich Antonov, meu grande amigo, colega e companheiro, não é um general. No Ministério de Defesa, os civis que também servem ali usam uniforme", afirmou, em referência a algumas fotos do diplomata vestido de militar.

O provável novo embaixador, de 62 anos, está há 30 anos na carreira diplomática, desde que se graduou em 1978 no Instituto de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO).

No entanto, sempre esteve especializado em questões militares e de desarmamento e, entre 2004 e 2011, foi diretor do Departamento para Segurança e Desarmamento da chancelaria, antes de ser nomeado vice-ministro de Defesa, onde era responsável pela cooperação tecnológica-militar.

Nesse Ministério permaneceu até dezembro de 2016, quando retornou à pasta de Exteriores como vice-ministro, o que alguns especialistas consideram que era um passo necessário para poder nomeá-lo depois como embaixador.

Segundo especialistas em ciência política, Antonov tem grande experiência em manter conversas com dirigentes dos EUA, especialmente no campo do controle armamentista e atividades militares.

Foi, por exemplo, o chefe negociador nas conversas para o novo tratado START em 2010, junto com a diplomata americana Rose Gottemoeller, atual vice-secretária geral da OTAN.

Antonov também liderou a equipe russa em 2015 e 2016 nas conversas com os EUA para evitar incidentes entre os aviões de ambos países na Síria.

A sua postura firme no tema do controle de armas não exclui que esteja a favor de melhorar as relações com os EUA em um dos momentos mais difíceis destas, após a vitória de Donald Trump e as insistentes acusações de que Moscou interveio a seu favor.

Antonov se pronunciou a favor de que Rússia e EUA trabalhem lado a lado na luta contra o terrorismo, já que - como disse recentemente em uma conferência sobre esse assunto - "ninguém pode sentir-se seguro atualmente, ninguém está vivendo em uma ilha".

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