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Paquistão adia visita oficial de representante dos EUA após críticas de Trump

27/08/2017 14h42

Islamabad, 27 ago (EFE).- O governo paquistanês adiou a visita oficial da representante especial dos Estados Unidos para o Afeganistão e o Paquistão, Alice G. Wells, prevista para esta segunda-feira, após adiar já uma viagem do seu ministro das Relações Exteriores a Washington devido às críticas do presidente americano, Donald Trump.

"A pedido do governo do Paquistão, a viagem da secretária adjunta Wells foi adiada até uma data mais conveniente para ambas as partes", informou neste domingo à Agência Efe o porta-voz da embaixada americana, Richard Snelsire.

Uma fonte diplomática dos EUA que pediu anonimato afirmou que "houve problemas" para organizar reuniões entre Wells e as autoridades paquistanesas, e que a visita pode ser adiada em até um mês.

A representante americana, que também ocupa o cargo de secretária adjunta de Estado para o Sul e Centro da Ásia, deveria chegar amanhã a Islamabad, após Trump advertir o Paquistão na semana passada para que deixasse de hospedar "organizações terroristas" em seu território.

Depois das críticas do presidente americano, o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Khawaja Asif, adiou na quinta-feira a visita que faria nesta semana aos EUA para viajar à "amistosa" China, à Rússia e à Turquia.

As datas da excursão de Asif a Pequim, Moscou e Ancara não foram divulgadas.

Na última segunda-feira, Trump criticou o Paquistão por supostamente dar cobertura a grupos terroristas que atacam as forças americanas e locais no Afeganistão e advertiu que haverá consequências se a situação não mudar.

Por sua vez, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que seu país pode pressionar o governo paquistanês com um corte da ajuda militar caso não aplique "um enfoque diferente" em relação aos talibãs.

Islamabad rejeitou as acusações dos EUA e pediu a Washington "esforços militares efetivos e imediatos" para eliminar os supostos refúgios de terroristas em solo afegão "que incentivam o terrorismo no Paquistão".

Cabul e Washington acusam Islamabad há anos de dar refúgio a grupos insurgentes em território paquistanês, como a facção talibã rede Haqqani, que atentam contra tropas afegãs e americanas.

O Paquistão negou reiteradamente que dá cobertura a grupos terroristas e que faça divisão entre "talibãs bons", aqueles que não representam uma ameaça para o país, e "talibãs maus", que atentam contra o Estado paquistanês.

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