Ultranacionalistas aceitam negociar governo com agenda antimigração

Viena, 24 out (EFE).- O líder do ultranacionalista Partido Liberal Austríaco (FPÖ), Heinz-Christian Strache, aceitou nesta terça-feira negociar com o líder do Partido Popular (ÖVP), Sebastian Kurz, a formação de um futuro governo na Áustria, com uma agenda centrada na restrição da imigração.

"Decidimos aceitar", disse Strache à imprensa em Viena, que acrescentou que marcou com Kurz para o meio-dia de amanhã o início oficial das negociações entre ambos partidos.

O líder ultradireitista, de 48 anos, se referiu assim ao convite "formal" que recebeu poucas horas antes do chefe do ÖVP, de 31 anos e vencedor das eleições legislativas do último dia 15, para integrar uma eventual aliança no poder.

"Ninguém deve acreditar que vamos facilitar para o ÖVP", ressaltou este politico, conhecido por suas posturas xenófobas e eurocéticas, que até agora esteve sempre na oposição.

A respeito de sua visão da União Europeia (UE), Strache disse concordar com Kurz em apoiar uma União Europeia construída sobre uma maior subsidiariedade.

Um modelo em que "a UE se limite às áreas essenciais e seja finalmente ativa nisso, ou seja, na proteção das fronteiras exteriores, no tema da migração, na expulsão dos imigrantes ilegais, na assinatura de acordos de repatriação e na ajuda sobre o terreno para evitar mais ondas de refugiados como a de 2015".

Neste contexto, acusou a UE de não ter cumprido no passado com suas obrigações e advertiu que o FPÖ considera sua obrigação, "como patriotas austríacos e europeus convictos", criticar os erros do desenvolvimento comunitário e exigir reformas.

Kurz reiterou hoje sua exigência de que qualquer aliado em uma coalizão de governo deve ter uma clara orientação europeísta.

Por outro lado, enquanto Kurz expressou perante a imprensa o desejo de que as negociações possam concluir-se com sucesso e rapidez, o líder ultranacionalista defendeu um avanço "em bom ritmo, mas sem precipitar-se".

Nas eleições legislativas antecipadas de 15 de outubro, o ÖVP de Kurz ganhou com 31,5% dos votos, seguido dos social-democratas do atual chanceler interino, Christian Kern, com 26,9%, e o FPÖ de Strache, com 26%.

O FPÖ, fundado em 1955 por antigos oficiais nazistas, é um dos partidos populistas mais bem-sucedidos da Europa, que já governou com o ÖVP entre 2000 e 2006.

Aquela coalizão, quando o FPÖ estava ainda dirigido pelo falecido Jörg Haider, provocou protestos na Europa e sanções diplomáticas por parte dos então 14 sócios comunitários.

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