EUA ameaçam países que votarem contra decisão sobre Jerusalém na ONU

Nações Unidas, 21 dez (EFE).- Os Estados Unidos ameaçaram abertamente nesta quinta-feira os países que votarem na Assembleia Geral da ONU contra sua decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"Este dia será lembrado", disse a embaixadora americana, Nikki Haley, no debate prévio à votação de uma resolução que reivindica que Washington volte atrás em sua decisão sobre Jerusalém.

Haley insistiu que os EUA "vão se lembrar" deste voto na próxima vez que um país lhe pedir apoio financeiro ou político, ou quando voltarem a reivindicar que seu país seja o principal contribuinte para o orçamento das Nações Unidas.

"Os Estados Unidos vão colocar sua embaixada em Jerusalém. Isso é o que os americanos querem que façamos. E é a decisão correta. Nenhum voto na ONU fará qualquer diferença", comentou a embaixadora.

O voto, no entanto, mudará a forma como os EUA trabalham nas Nações Unidas e como olham para os "países que faltam com respeito", acrescentou a embaixadora americana.

As advertências de Haley se somam às feitas ontem pelo presidente Donald Trump, que ameaçou cortar a ajuda aos países que votarem contra os EUA.

"Todas estas nações que tomam o nosso dinheiro e depois votam contra nós, no Conselho de Segurança e na Assembleia (da ONU), eles tomam milhões de dólares, bilhões de dólares, e votam contra nós", afirmou Trump em reunião de seu gabinete na Casa Branca.

"Bem, vamos estar atentos a esses votos. Deixem que votem contra nós. Economizaremos muito. Não nos importamos", acrescentou o presidente.

Em 6 de dezembro, Trump reconheceu Jerusalém como capital israelense, rompendo décadas de consenso internacional, segundo o qual o status final da cidade deve ser estipulado em um processo de paz entre israelenses e palestinos.

A resolução que será votada hoje na Assembleia Geral reitera a doutrina das Nações Unidas sobre Jerusalém e exige "que todos os Estados cumpram as resoluções" do Conselho de Segurança relativas à cidade.

Na última segunda-feira, os EUA vetaram um texto similar no Conselho de Segurança, mas nenhum país dispõe deste privilégio na Assembleia, cujas resoluções carecem de caráter vinculativo como acontece no Conselho.

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