Chile se encaminha para novo ciclo no último ano do governo Bachelet

Manuel Fuentes.

Santiago (Chile), 26 dez (EFE).- Os resultados das recentes eleições e os indicadores dos últimos meses evidenciam que o Chile se encaminha para um novo ciclo político e econômico, coincidindo com a fase final do mandato da presidente Michelle Bachelet.

Ao longo de 2017, o governo foi fortemente questionado pela oposição de direita e um amplo setor do empresariado, mas o resultado das eleições e o rumo que a economia está tomando parecem indicar um balanço mais equilibrado.

No dia 17 de dezembro, o candidato conservador Sebastián Piñera conseguiu uma contundente vitória no segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Alejandro Guillier, aliado de Bachelet.

No entanto, o ex-presidente entre 2010 e 2014 e que retornará ao cargo, terá que pactuar as reformas de sua nova gestão com a oposição, já que a coligação que o apoia não obteve maioria absoluta no Congresso nas eleições de 19 de novembro.

O fracasso eleitoral de Guillier representou um duro revés para Bachelet, que nas últimas semanas de campanha o apoiou firmemente, ao contrário do que fez em 2009 com Eduardo Frei.

A queda da coligação Nova Maioria, formada em 2013 para dar apoio eleitoral a Bachelet, é inapelável.

No entanto, o segundo mandato da presidente - considerada pela revista Forbes a quarta governante mais poderosa do mundo - deixa um legado político que agrada, inclusive, uma parte da direita.

A presidente alega que promoveu reformas que representam "mudanças fundamentais na vida das pessoas, ao abordar temas que pareciam impossíveis".

A gratuidade da educação superior, a reforma do sistema eleitoral, o voto dos chilenos no exterior, as cotas obrigatórias de participação feminina e a descriminalização parcial do aborto são alguns exemplos.

Nos últimos anos aumentou entre os cidadãos um forte sentimento de rejeição aos partidos políticos, às instituições, à classe empresarial e até à polícia, uma aversão que cresceu à medida em que casos de corrupção vinham à tona.

Os chilenos tomaram consciência de que o Estado não lhes garantia educação de qualidade, um sistema de saúde confiável, aposentadorias dignas, segurança e empregos estáveis.

E enquanto uma parte da população saiu às ruas para protestar, mais da metade cristalizou essa rejeição na abstenção (65% nas eleições locais, 53% nas legislativas e 51% nas presidenciais).

A mudança social e política pela qual o país passa também teve expressão em 2017 com o fim do modelo político nascido no final dos anos 80 para lutar contra a ditadura, baseado em um bloco de centro-esquerda e outro de direita.

Mas a irrupção no Parlamento da Frente Ampla, uma heterogênea coligação de partidos de esquerda e movimentos sociais, provocou uma nova correlação de forças.

A classe empresarial e as agências de classificação de risco, que perderam a confiança no governo Bachelet por causa da reforma laboral, a alta dos impostos corporativos e o déficit fiscal, esperam agora que o triunfo de Piñera nas urnas impulsione a economia.

Além do otimismo dos investidores pelas expetativas geradas com a mudança política, alguns indicadores econômicos experimentaram melhora nos últimos meses.

Em outubro, a atividade econômica do Chile cresceu 2,9% em comparação com o mesmo mês em 2016, o que representa a variação mais alta registrada no ano.

O Produto Interno Bruto do Chile cresceu 2,2% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período no ano anterior e, segundo os prognósticos do Banco Central, fechará 2017 com uma expansão de 1,4%.

O desemprego também se mantém em níveis relativamente baixos, de 6,7% no trimestre agosto-outubro.

No entanto, para 2018 se prevê que a economia chilena volte a subir, com uma expansão de entre 2,5% e 3,5%, segundo o Banco Central.

Além disso, o cobre, principal produto de exportação do Chile, ficou cotado em outubro a US$ 3,2 a libra, seu maior nível desde julho de 2014.

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