Oposição do Quênia reafirma que ganhou eleições e mantém posse alternativa

Nairóbi, 26 jan (EFE).- A principal coalizão opositora no Quênia assegurou nesta sexta-feira que venceu as eleições de agosto de 2017 com mais de oito milhões de votos e manteve seus planos para empossar como presidente seu candidato, Raila Odinga.

A Super Aliança Nacional (NASA, na sigla em inglês) impugnou com sucesso as eleições, mas boicotou a repetição das eleições presidenciais, realizadas em outubro do ano passado, razão pela qual o presidente, Uhuru Kenyatta, renovou seu mandato com mais de 98% dos sufrágios e tomou posse do cargo no final de novembro, apesar de a oposição não o reconhecer como chefe de Estado legítimo.

Em uma coletiva de imprensa realizada hoje, um dos rostos visíveis da coalizão, o senador James Orengo, assegurou que Odinga conseguiu 8,1 milhões de votos frente a 7,8 milhões de Kenyatta, mas que a Comissão Eleitoral não utilizou estes "resultados autênticos" para dar a vitória a quem lidera o país desde 2013.

Portanto, a NASA seguirá adiante com os planos de empossar Odinga em uma cerimônia alternativa no próximo dia 30, apesar das advertências governamentais de que podem incorrer em um crime de alta traição, que no Quênia é punido com a pena de morte, ainda que o país não a aplique desde 1987.

"Se alguém tem dúvidas de por que Odinga deveria ser empossado presidente, este documento tem as respostas", indicou Orengo referindo-se aos supostos resultados, os quais assegurou que são "autênticos" e que não foram "adulterados".

Desde o próprio dia da votação, em 8 de agosto de 2017, a NASA assegurou repetidamente que os resultados oficiais das eleições presidenciais, que deram a vitória a Kenyatta com 54% dos votos, são fraudulentos.

Entre as ações tomadas contra Kenyatta se destacam a criação de um "movimento de resistência nacional" e de algumas "assembleias populares" regionais, bem como o boicote a empresas consideradas vinculadas ao oficialismo.

Até agora, e ainda que tenha mantido um discurso de paz e unidade nacional, o presidente se negou a dialogar com a oposição e seguiu adiante com seu governo, apesar de boa parte do país não o reconhecer como seu líder.

Desde a votação de agosto, pelo menos 67 pessoas morreram em confrontos com a polícia durante protestos contra a Comissão Eleitoral e Kenyatta, que alimentaram os temores da população que se repetisse uma situação similar à vivida após as eleições de 2007.

Naquela ocasião, os enfrentamentos étnicos que se seguiram à vitória de Mwai Kibaki, precisamente contra Odinga, deixaram mais de 1.100 mortos e 600.000 deslocados.

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