Parlamento catalão adia debate de posse do presidente regional

Madri, 30 jan (EFE).- O presidente do parlamento regional da Catalunha, Roger Torrent, anunciou nesta terça-feira que adia sem data o debate para a posse de um novo presidente dessa comunidade autônoma, que estava previsto para hoje.

Em um pronunciamento institucional, Torrent disse que esse adiamento permite "dar tempo" para que o Tribunal Constitucional resolva todas as alegações à decisão do sábado passado de impedir uma posse à distância do independentista Carles Puigdemont, que se instalou em Bruxelas no final de outubro para fugir da Justiça espanhola.

Torrent afirmou ainda que não planeja propor outro candidato que não seja Puigdemont, que aglutina o respaldo das forças independentistas, com 70 das 135 cadeiras da câmara regional catalã.

No sábado passado o Constitucional estabeleceu um período para a apresentação de alegações à sua medida cautelar contra a posse de Puigdemont, que, além de não poder debater à distância, devia pedir permissão a um juiz do Tribunal Supremo para fazê-lo pessoalmente, com o risco de ser levado à prisão provisória imediatamente.

O grupo político de Puigdemont, JxCat, apresentou essas alegações e hoje Roger Torrent assegurou que pediu aos advogados do parlamento que apresentem as suas para permitir que o debate de posse do próximo presidente catalão aconteça com "garantias".

Na Bélgica, Puigdemont pediu ontem "amparo" do parlamento regional e hoje Torrent assegurou que se comprometeu a garantir sua imunidade e que possa apresentar-se como candidato ao governo dessa região de 7,5 milhões de habitantes.

Enquanto o Constitucional resolve nos próximos dias todos os recursos, Torrent não planeja propor outro candidato, para fazer frente ao que considera ataques do Estado através dos tribunais e da ação do Executivo espanhol.

"Nem a vice-presidente Soraya (Sáenz de Santamaría) nem o Constitucional decidirão quem deve ser o presidente" catalão, disse Torrent em alusão às iniciativas adotadas por Madri contra a candidatura de Puigdemont.

O pronunciamento de Torrent aconteceu de maneira improvisada, na mesma hora para qual estava marcada a reunião da mesa do parlamento catalão, que é o seu órgão reitor e que devia ordenar o desenvolvimento do debate de posse da tarde.

As forças independentistas têm maioria absoluta no parlamento autônomo após as eleições de 21 de dezembro convocadas pelo governo espanhol para restabelecer a legalidade constitucional e impedir o processo independentista, cujo ponto culminante foi uma declaração unilateral de independência aprovada por essa câmara em 27 de outubro.

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