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Bélgica distribui pastilhas de iodo à população contra ameaça nuclear

Thierry Roge/ Belga/ AFP
Caixas de pastilhas de iodo são exibidas para a imprensa durante divulgação do plano do governo belga para uma emergência nuclear Imagem: Thierry Roge/ Belga/ AFP

Em Bruxelas

07/03/2018 09h19

As farmácias belgas estão distribuindo pastilhas de iodo de graça às pessoas que solicitem como parte de um novo plano de segurança nuclear iniciado pelo governo. A ação é parte de programa de proteção em caso de acidente nuclear. A distribuição das pastilhas abrange todo o território do país desde terça-feira (6)

As pastilhas estarão disponíveis para toda a população, mas sua ingestão é recomendada somente para grupos de risco como crianças, mulheres grávidas e em período de lactação, ou professores de escolas e creches, informou a agência de notícias local "Belga".

Estas pílulas atuam sobre a tireoide, saturando-a deste composto para evitar que absorva o iodo radioativo que seria liberado por um vazamento nuclear e prevenir assim o desenvolvimento de câncer.

As pessoas que vivem em um raio de 20 quilômetros ao redor das usinas nucleares ativas do país - a de Tihange, no leste, e a de Doel, no norte - já receberam as pílulas.

No entanto, o novo plano prevê a distribuição em um raio de 100 quilômetros ao redor de qualquer central e inclui também a usina holandesa de Borssele e a francesa de Chooz, próximas às fronteiras belgas com ambos países, por isso que na prática representa a cobertura de todo o Estado.

O Governo Federal também vai promover uma campanha de informação sobre a segurança nuclear.

As usinas nucleares belgas estiveram no ponto de mira após os problemas de segurança registrados em Tihange, que permaneceu fechada por 21 meses por este motivo até sua reabertura em dezembro de 2015.

Mas também porque depois dos atentados terroristas de 22 de março de 2016 em Bruxelas houve o temor de que as usinas nucleares fossem o alvo inicial dos terroristas, o que foi desmentido pelas autoridades.

No dia dos atentados, ambas as centrais foram evacuadas e dois dias depois, em 24 de março, foi informado que um homem que trabalhava como agente de segurança de Tihange foi assassinado e seu passe de entrada roubado.

Dois dias mais tarde, as autoridades belgas retiraram os passes de entrada à usina nuclear de Tihange de várias pessoas e reduziram provisoriamente o número de funcionários, além de reforçar o dispositivo de segurança com guardas privados, policiais locais e federais e militares.

A Bélgica deve abandonar a energia nuclear em 2025 e assim consta no pacto energético e no acordo do Governo de coalizão do país.

No entanto, este objetivo foi posto em interdição nos últimos meses por alguns partidos, organizações patronais e acadêmicas, que colocam questões sobre seu custo e potencial impacto sobre o cumprimento dos objetivos climáticos.