Trump chancela denúncias de Netanyahu sobre Irã e insinua fim de acordo

Washington, 30 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuou nesta segunda-feira que planeja deixar o acordo nuclear com o Irã, ao dizer que não acredita que isso prejudicará seus contatos com a Coreia do Norte, e respaldou a denúncia do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que Teerã tem um programa nuclear "secreto".

"O que aprendemos hoje sobre o Irã mostra realmente que eu tinha 100% de razão" sobre o acordo nuclear de 2015, disse Trump em entrevista coletiva na Casa Branca ao lado do presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari.

Trump falou assim minutos depois de Netanyahu convocar uma coletiva de imprensa em Tel Aviv para revelar documentos que supostamente mostram que o Irã tem um programa armamentista nuclear secreto, e assegurar que Teerã está enganando o mundo, em referência ao acordo multilateral de 2015 que limita seu programa atômico.

"Essa simplesmente não é uma situação aceitável", ressaltou Trump em alusão ao suposto programa secreto de Teerã.

O presidente americano planeja anunciar antes do próximo dia 12 de maio se retira seu país do acordo nuclear que seu predecessor, Barack Obama, assinou com o Irã em 2015 junto com Alemanha, França, China, Rússia e Reino Unido, e que está destinado a conter suas atividades atômicas em troca de um alívio das sanções.

"No dia 12 ou antes vou tomar uma decisão. Não vou dizer-lhes o que farei, mas muita gente acredita que sabe. Isso não significa que não negociarei um novo acordo", frisou Trump.

O presidente francês, Emmanuel Macron, opinou na semana passada, depois de se reunir com Trump na Casa Branca, que é provável que o presidente americano decida retirar-se do pacto multilateral, e lhe pediu para negociar um novo acordo mais amplo com Teerã que abranja suas preocupações.

Perguntado se não se preocupa que uma retirada do acordo nuclear iraniano possa enviar a mensagem equivocada à Coreia do Norte em plena negociação dos Estados Unidos com esse país para a desnuclearização da península coreana, Trump respondeu que, pelo contrário, essa decisão "enviaria a mensagem correta".

"Em sete anos, esse acordo (nuclear com o Irã) terá caducado e o Irã será livre para criar armas nucleares. Sete anos é amanhã. Isso não é aceitável", lamentou Trump.

Em janeiro, Trump ameaçou retirar-se do acordo com o Irã se os países europeus signatários do pacto de 2015 (França, Reino Unido e Alemanha) não negociasse com ele o mais rápido possível um acordo paralelo que corrigisse os "defeitos" do texto original.

Trump considera inaceitáveis os prazos para a caducidade de certas restrições ao programa nuclear iraniano incluídas no acordo de 2015, e que esse pacto não aborde o programa de mísseis balísticos de Teerã nem suas supostas atividades perniciosas na região.

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