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Exército de Israel revela operação do Hamas para acessar celular de soldados

03/07/2018 13h40

Tel Aviv, 3 jul (EFE).- O movimento islamita palestino Hamas parece ter iniciado uma operação de infiltração no Exército israelense, que consiste em criar relações com soldados israelenses com a intenção de controlar seus celulares e obter informações sensíveis, como já tentou fazer há mais de um ano.

"O Hamas tentou novamente enganar nossos soldados para infectar seus celulares com programas nocivos, a primeira vez foi em janeiro de 2017", disse um oficial da Unidade de Inteligência do Exército israelense a um grupo de jornalistas na sede do Comando Central em Tel Aviv.

A novidade das recentes tentativas de ataque é que na maioria foram efetuadas através de aplicativos de encontros.

Na operação "Coração Partido", como foi denominada pelo Exército, "o Hamas usa perfis fictícios ou roubados para fazer ligações diretas com os soldados", afirmou o militar, que apontou uma maior sofisticação dos métodos utilizados agora pelo grupo islamita.

Se em 2017 propunham aos soldados que baixassem aplicativos elaborados pelo Hamas, na maioria suspeitos por ser links sem referência e poucos downloads, nesta ocasião "os aplicativos são mais sofisticados e foram hospedados no Google Play", afirmou o militar.

"O modo de operar é o seguinte: estabelecem contato via Facebook, e depois sugerem passar o Whatsapp. Nossos soldados estão agora treinados para detectar se as conversas são fraudulentas, mas mesmo assim vários estabeleceram contato", afirmou.

O Hamas (ao qual Israel, da mesma forma que a União Europeia e EUA considera um grupo terrorista), utilizou números de celulares israelenses para não levantar suspeitas e os agentes que faziam estas tarefas de infiltração manejavam um perfeito hebraico.

"Isso é assim porque vivem entre nós. O Hamas não está só em Gaza. Sabe como se dirigir a nossos soldados, os temas de conversa, a música, os interesses", indicou o militar.

No entanto, também disse que não ocorreu nenhum dano à segurança, embora cerca de 400 pessoas, nem todos soldados, tenham feito downloads de três tipos diferentes de aplicativos nocivos.

Os aplicativos criados pelo Hamas são "Glanceclove", "Wink chat" e "Golden Cup" - as duas primeiras de encontros e o terceiro sobre o Mundial e, segundo o oficial, "muito bom, com links para ver as partidas, resultados, estatísticas" -, já não estão no Google Play.

O perigo "é grande", afirmou o militar, pois "sem saber, um celular de um soldado aqui, no quartel-general, pode estar tirando fotos, gravando conversas...", além de ser utilizado para chantagear, tendo acesso a documentos e fotos privadas.

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