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Etiópia e Eritreia retomarão relações diplomáticas após 20 anos

Premiê da Etiópia Abiy Ahmed e Isaias Afwerki, presidente da Eritréa se abraçam - ERITV / AP
Premiê da Etiópia Abiy Ahmed e Isaias Afwerki, presidente da Eritréa se abraçam Imagem: ERITV / AP

08/07/2018 18h38

Adis Abeba, 8 jul (EFE).- A primeira reunião em 20 anos entre governantes da Etiópia e da Eritreia aconteceu neste domingo na capital eritreia, Asmara, e concluiu com um acordo para restabelecer as relações entre ambos países, que abrirão embaixadas nas suas capitais.

Durante um jantar oficial oferecido pelo presidente eritreu, Isaias Afewerki, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, anunciou a restauração das relações diplomáticas e a abertura das embaixadas, assim como o reforço dos laços econômicos.

A esse respeito, ambos governantes concordaram com a reabertura das linhas aéreas entre os dois países e o desenvolvimento conjunto dos portos eritreus, uma das prioridades para Abiy desde que chegou ao poder, já que planeja reativar sua Marinha, e já tinha negociado com outros países da região como Somália e Djibuti para isso.

A Eritreia declarou independência da Etiópia em 1993, mas as disputas fronteiriças levaram os dois países a uma guerra entre 1998 e 2000 que causou dezenas de milhares de mortos de ambas partes.

O Acordo de Argel, assinado em 2000 para combinar as linhas fronteiriças, estipula que as duas partes aceitem a decisão da Comissão de Fronteira da Eritreia e da Etiópia como "final e vinculativa".

No entanto, quando esta comissão decidiu conceder à Eritreia a cidade de Badme, epicentro da guerra, a Etiópia voltou atrás em seu compromisso.

Desde então e até à chegada de Abiy ao cargo em abril deste ano, as relações entre estes dois países da África oriental não foram nada positivas.

Prova disso é que a decisão de negociar com a Eritreia foi recebida com fortes protestos por parte de alguns setores da sociedade e, inclusive, da fação mais conservadora do partido governante.

O Acordo de Argel é impopular na Etiópia, onde muitos cidadãos se consideram traídos pelo governo depois que o seu país ganhou a guerra com a Eritreia, na qual o próprio Abiy combateu como membro da unidade de radiocomunicação do exército.

"Os acordos também permitirão aos cidadãos dos dois países que possam se mudar e trabalhar nos territórios de ambos. Os povos das duas nações entraram agora em um novo capítulo de crescimento e benefícios mútuos", afirmou Abiy.

"Quando nossos dois países conseguirem a paz, a região inteira estará em paz", completou.

A primeira das mudanças, que aconteceu hoje mesmo, foi o estabelecimento da primeira conexão telefônica direta entre os países.

Os discursos foram retransmitidos ao mesmo tempo pelas televisões estatais da Etiópia e da Eritreia e, durante o jantar, se pôde ver um ambiente descontraído no qual Abiy chegou a brincar com Afewerki, chamando-lhe por um antigo apelido e provocando os risos do líder do até pouco tempo principal inimigo de Adis Abeba.

Abiy chegou esta manhã no primeiro voo da companhia aérea de bandeira etíope Ethiopian Airlines que aterrissava em Asmara em duas décadas e, logo depois de descer do avião, deu um abraço em Afewerki, junto a quem percorreu ruas inundadas de eritreus.

Cartazes com a mensagem "Bem-vindo, querido irmão Abiy Ahmed" e bandeiras etíopes que, pela primeira vez em muitos anos, tremulavam oficialmente pelas ruas da capital eritreia deram as boas-vindas a um novo capítulo das negociações que Abiy impulsionou ao anunciar que aceitaria o acordo do ano 2000 que determinava as fronteiras entre os dois países.

A visita aconteceu praticamente de surpresa, anunciada hoje mesmo pelo governo eritreu, um dos regimes mais herméticos do mundo, que, através do seu ministro de Informação, Yemane Meskel, confirmou que Abiy chegaria a Asmara para "proclamar uma nova era de paz e cooperação".


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