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Internacional

Detenção de jovem que postou vídeos dançando na internet gera polêmica no Irã

09/07/2018 11h13

Teerã, 9 jul (EFE).- A detenção recente de uma jovem que postou vídeos dançando gerou controversa no Irã, perante as críticas à falta de liberdades sociais e às restrições na rede.

Maedeh Hojabri, de 18 anos, conquistou milhares de seguidores na sua conta de Instagram com seus vídeos, nos quais aparecia dançando ao ritmo de música iraniana e ocidental.

Nos vídeos em questão, a jovem aparece, às vezes, sem o véu islâmico, que é de uso obrigatório no Irã desde o triunfo da Revolução Islâmica em 1979.

A televisão estatal iraniana divulgou um programa na sexta-feira no qual Hojabri reconhecia ter violado as normas morais da República Islâmica, embora indicava que não tinha feito de propósito.

Em resposta, vários internautas postaram nos últimos dias vídeos similares nas redes sociais e mensagens de apoio com a hashtag "dançar não é crime".

Outras mensagens no Twitter destacavam, por exemplo, que em muitas partes do mundo seria inconcebível considerar um fato destas caraterísticas como imoral.

Devido a esta repercussão, o programa da televisão estatal foi criticado inclusive por alguns veículos de imprensa oficiais iranianos, como a agência "IRNA", que lamentou, citando sociólogos, que a menina se transformou em heroína e que agora há campanhas em apoio à dança.

As mulheres são proibidas de dançar e cantar em público no Irã, onde poucas cantoras têm permissão para dar concertos e estes só podem acontecer perante uma audiência feminina.

Em agosto, seis jovens foram detidos e acusados de ensinar zumba e gravar videoclipes com a intenção de mudar o "estilo de vida" da República Islâmica e instigar as mulheres a não se cobrir com o véu.

Em 2014, sete jovens foram condenadas a seis meses de prisão e 91 chicotadas por postar um vídeo dançando a música "Happy", um sucesso do cantor Pharrel Williams, embora a pena tenha sido finalmente suspensa.

As autoridades iranianos anunciaram que planejam fechar contas do mesmo estilo que a de Hoyabri no Instagram, uma rede social que não é bloqueada, mas que os mais conservadores têm no ponto de mira.

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