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Vaticano publica propostas para ajudar no combate a abusos sexuais

Vaticano via Reuters
21.fev.2019 - Primeira cúpula do Vaticano para discutir abusos sexuais cometidos por padres Imagem: Vaticano via Reuters

2019-02-21T11:44:00

21/02/2019 11h44

A elaboração de um protocolo com o passo a passo a ser seguido após uma denúncia de abuso sexual contra um menor de idade e a criação de centros de atendimento para ajudar a combater essa prática são algumas das ideias propostas pelo Vaticano para lutar contra a pedofilia na Igreja Católica.

As iniciativas foram sugeridas por comissões e conferências episcopais e o papa Francisco anunciou hoje que irá refletir sobre elas durante a reunião que está sendo realizada no Vaticano sobre a proteção de crianças e adolescentes.

Entre os 21 tópicos, que de acordo com o pontífice são "apenas um ponto de partida", está a elaboração de um manual especificando cada passo a ser seguido pela autoridade religiosa após o aparecimento de um caso. Uma proposta que surpreendeu foi a de elevar a idade mínima do casamento para 16 anos, já que, segundo o Direito Canônico, a idade mínima para uma mulher se casar é atualmente de 14 anos e a do homem é de 16.

Também foi sugerida a criação de "centros de escuta", com pessoas capacitadas e especializadas, onde será feito o primeiro atendimento das supostas vítimas. O documento pede ainda que autoridades civis e eclesiásticas superiores sejam informadas sobre o ocorrido.

Outra sugestão é a de estabelecer protocolos específicos para a gestão das acusações contra os bispos e a criação de cursos de formação para "bispos, superiores religiosos, clérigos e trabalhadores pastorais".

O documento enfatiza também a importância da colaboração de todas as pessoas e dos meios de comunicação para reconhecer e separar os casos reais dos falsos. Ao mesmo tempo, especifica a necessidade de garantir nas investigações a presunção de inocência até que o acusado seja condenado.

Em seu discurso no início da reunião - que irá até domingo -, o pontífice disse que espera que a Igreja não só condene os abusos dos seus clérigos, como use "medidas concretas e efetivas" para erradicá-los. Uma destas propostas concretas é garantir "a proporcionalidade do castigo com relação ao crime", ou seja "sacerdotes e bispos culpados de abusos sexuais contra menores têm que ser retirados dos cargos". Além disso, é recomendada a avaliação psicológica para os candidatos ao sacerdócio feita por um profissional qualificado e credenciado.

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