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Contra a 'velha política', jovem milionário se lança nas eleições da Tailândia

Líder do partido do Novo Futuro, Thanathorn Juangroongruangkit é uma sensação entre os jovens tailandeses - AFP
Líder do partido do Novo Futuro, Thanathorn Juangroongruangkit é uma sensação entre os jovens tailandeses Imagem: AFP

Noel Caballero

Bangcoc

22/03/2019 18h17

Após completar dezenas de maratonas ao redor do mundo, o jovem e carismático empresário Thanathorn Juanroongruangkit embarcou em um desafio ainda maior: entrar na política com seu novo partido prometendo dizimar a influência dos militares na Tailândia.

Apoiado por um grupo de acadêmicos de diferentes áreas, Thanathorn fundou em março do ano passado o partido Anakot Mai (Novo Futuro) como uma plataforma progressista e com políticas sociais para ajudar a nação a acabar com a crise política que já dura mais de uma década.

Seu perfil de amante dos esportes e de homem próximo do povo e o uso das novas tecnologias para divulgar suas ideias foram o gancho perfeito para atrair uma geração de jovens tailandeses que clamam por mudança.

Favorito com uma ampla vantagem nas pesquisas extraoficiais realizadas em várias universidades do país, o Anakot Mai parece ser a opção preferida para unir grande parte dos 7 milhões de tailandeses de 18 a 24 anos que votarão pela primeira vez no dia 24 de março.

Aos 40 anos, este novato na política e filho de uma família rica com antepassados chineses não hesitou em lançar ataques diretos contra o governo militar que rege a Tailândia desde o golpe de Estado de 2014 e afirma que, se chegar ao poder, transformará em passado os motins do Exército - que promoveu 19 revoltas desde 1932, 12 delas bem-sucedidas.

Entre as medidas prioritárias anunciadas por Thanathorn estão abolir a atual Constituição, promulgada em 2016 pelos militares e a qual classifica como "autoritária e pouco democrática", e estabelecer um comitê para formular uma nova Carta Magna.

Outra proposta é de cortar em mais de 20% o orçamento do Exército - que nos últimos anos disparou pela compra de aeronaves, submarinos e tanques -, reduzir o número de generais e eliminar o recrutamento obrigatório.

No âmbito social, o jovem político prometeu instaurar um sistema universal de saúde completamente gratuita, pensões para os aposentados, educação gratuita e tentar acabar com a desigualdade, assim como uma ferrenha posição para combater a corrupção endêmica que enfraquece o país.

O súbito crescimento de popularidade do seu partido em poucos meses deixou em alerta a atual junta militar, liderada pelo general golpista Prayut Chan-ocha, que pretende se manter no poder por meio das urnas.

Thanathorn e alguns de seus correligionários foram denunciados pelas autoridades por descumprirem algumas das ambíguas leis utilizadas pelos militares para intimidar seus opositores.

Para resolver a divisão política da Tailândia, o empresário pretende levar aos tribunais em processo "livre e justo" todos os líderes das manifestações (de 2008, 2010 e 2013) que então paralisaram o país e os comandantes do corpo militar que tomaram o poder (em 2006 e 2014).

Antes de entrar para a política, Thanathorn, que tem quatro filhos, deixou seus cargos de vice-presidente da maior fabricante de peças de automóveis da Tailândia e de diretor do conglomerado de mídia Matichon, empresas que pertencem à sua família.

Formado em engenharia mecânica na universidade tailandesa de Thammasat, o empresário também estudou no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Suíça e possui três diplomas de pós-graduação: em Ciências Econômicas, Finanças Globais e Direito Comercial Internacional.

Amante das atividades ao ar livre, Thanathorn participou de várias competições de esporte extremo, como a Maratona das Areias - no deserto de Saara e considerada uma das corridas mais duras do mundo - e o "Tor dês Géants", nos Alpes italianos.

Em sua biografia oficial, Thanathorn afirma ser o primeiro asiático a completar a corrida de resistência de 560 quilômetros no Círculo Polar Ártico.

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