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Movimento de oposição a Erdogan denuncia prisão arbitrária de turco no Brasil

25/04/2019 18h37

São Paulo, 25 abr (EFE).- O movimento Hizmet, criado pelo clérigo turco Fethullah Gülen, denunciou nesta quinta-feira a prisão arbitrária de Ali Sipahi, um empresário de 31 anos que foi preso pela Polícia Federal em São Paulo após pedido de extradição feito pelo governo de Recep Tayyip Erdogan.

Sipahi, dono de um restaurante na capital paulista e naturalizado brasileiro, foi preso sob a acusação de "apoiar e integrar um grupo terrorista", uma classificação dada por Erdogan ao grupo fundado por Gülen, acusado pelo presidente da Turquia de estar por trás da tentativa fracassada de golpe de Estado no país em 2016.

"As tentativas de governo turco de relacionar os trabalhos dessa comunidade com o terrorismo é uma evidência clara do quão equivocada é essa interpretação de democracia", disse à Agência Efe o porta-voz do movimento Hizmet no Brasil, Kamil Ergin.

Os advogados de Sipahi entraram com um pedido de habeas corpus para que o empresário possa esperar em liberdade até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre a extradição. No entanto, a Justiça negou o recurso apresentado pela defesa do turco.

Ergin afirmou que a prisão do empresário gerou temor entre os imigrantes turcos. Muitos consideram, segundo o porta-voz do movimento Hizmet, que o pedido de extradição faz parte de uma "campanha de perseguição" promovida pelo governo de Erdogan.

"Desde 2016, mais de 100 mil pessoas foram detidas na Turquia e todas as entidades da nossa comunidade (2,3 mil) foram fechadas. É uma verdadeira caça às bruxas", destacou Ergin.

Apesar do governo de Erdogan considerar o movimento liderado por Gülen como terrorista, a ONU discorda da classificação.

"O presidente Erdogan é um político que utiliza todos os recursos do Estado para combater os valores fundamentais da democracia e não tolera que discordem dele", afirmou Ergin.

Além disso, o porta-voz do movimento de Gülen denunciou haver "motivos políticos" por trás do pedido de extradição de Sipahi, mas disse confiar que o Brasil não acatará a solicitação de um país que "não é necessariamente democrático".

"Na Turquia, não há julgamentos imparciais, não há uma democracia funcionando. Agora perseguem os que conseguiram fugir das prisões arbitrárias, das torturas", destacou o porta-voz.

A embaixada da Turquia no Brasil não comentou o caso de Sipahi. Em nota, o órgão se limitou a dizer que "Gülen é líder de uma organização secreta, altamente hierarquizada e antidemocrática".

Além disso, acusou o clérigo de ser o responsável pelo "mais violento ataque terrorista da história turca", uma referência à tentativa fracassada de golpe de Estado contra Erdogan.

Gülen, que hoje vive exilado nos Estados Unidos, era um aliado do presidente turco, mas passou a ser considerado inimigo do governo depois de ser acusado de planejar a tentativa de golpe em 2016.

O clérigo nega as acusações, diz que sempre se opôs às tentativas dos militares de interferir na vida política da Turquia e que o movimento Hizmet não tem intenção de chegar ao poder. EFE

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