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Privilégios e austeridade provocam primeiras renúncias no governo do México

2019-05-25T20:57:00

25/05/2019 20h57

José Antonio Torres.

Cidade do México, 25 mai (EFE).- A luta contra os privilégios e a austeridade, bandeiras do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, provocaram em menos de uma semana as primeiras baixas de sua equipe de governo, que perdeu neste sábado a titular da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat).

Josefa González Blanco Ortiz Mena decidiu entregar o cargo na Semarnat hoje após admitir que errou ao pedir a uma companhia aérea que mudasse o horário de decolagem de um voo comercial para poder pegá-lo após se atrasar por motivos pessoais.

Já o diretor-geral do Instituto Mexicano do Seguro Social (IMSS), Germán Martínez, renunciou no início da semana após denunciar um excesso no controle dos gastos públicos em detrimento da saúde de milhões de mexicanos que dependem do orçamento do órgão.

As renúncias dos dois integrantes do governo colocaram López Obrador diante de duas de suas principais promessas desde o tempo de opositor: o fim dos privilégios e a aplicação de uma austeridade quase franciscana nas contas públicas.

"Nós não podemos falhar em nada e, quando cometemos um erro assim, temos que aceitá-lo e renunciar. Embora possa parecer uma medida drástica, enérgica, nós não temos direito de errar em nada", disse o presidente ao aceitar a renúncia da secretária da Semarnat.

Após destacar que González Blanco reconheceu o erro, López Obrador disse concordou com a saída da secretária do governo porque o interesse do país está acima dos pessoais.

Mas a saída de Martínez do IMSS, órgão responsável pela seguridade social e pela saúde de mais da metade dos mexicanos, provocou críticas sobre o modo de López Obrador governar e sobre a política para a redução de gastos em um setor tão importante.

Diretores de vários hospitais do México denunciaram que os orçamentos das unidades estão sofrendo cortes milionários promovidos pelo governo. López Obrador reagiu anunciou que liberaria mais dinheiro para a saúde e prometendo que não economizaria um único peso mexicano na saúde e na educação dos mexicanos.

Por trás da renúncia da secretária de Meio Ambiente está a luta contra os privilégios encampada por López Obrador, que também decidiu usar voos comerciais para viajar pelo país e vender todas as aeronaves do governo, inclusive o avião presidencial.

López Obrador também se recusou em viver na antiga residência presidencial, já transformada em um centro cultural aberto ao público, e segue na mesma casa em que vivia antes da eleição.

Um primeiro lote de veículos públicos já foi vendido pelo governo. Além disso, amanhã, um leilão reunirá automóveis e imóveis que pertencem ao poder público, mas que também serão negociados após pedido do novo presidente do país.

O dinheiro arrecadado no leilão, segundo López Obrador, será investido nos dois municípios mais pobres do México. Ambos ficam no estado de Guerrero, no sul do país.

Diante da decisão do presidente de usar voos comerciais, muitas pessoas viram o pedido da secretária para atrasar a decolagem como um insulto. O avião da Aeroméxico esperou 38 minutos para deixar a Cidade do México rumo a Tijuana para esperar a chegada de Gonzaléz Blanco, segundo testemunhas ouvidas pela imprensa local.

"Ao iniciar uma viagem de trabalho causei um atraso para os passageiros e para a tripulação. Não há justificativa", escreveu a agora ex-titular da Semarnat na carta de renúncia.

"A verdadeira mudança querer que ninguém tenha privilégios e que o benefício pessoal, inclusive no caso de cumprir funções públicas, não deve estar acima do bem-estar da maioria", acrescentou.

Um dos críticos da postura de González Blanco pediu nas redes sociais que a ex-secretária se desculpe com os passageiros da Aeroméxico por esperá-la. "Isso também é corrupção", disse ele.

Outro internauta ressaltou que os integrantes do governo López Obrador têm que dar o exemplo e combater os privilégios.

"Se (o presidente) pretende que seu pessoal seja cidadãos comuns, então que eles aprendam a perder voos como ocorre com todos", afirmou. EFE

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