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Senado do Paraguai autoriza entrada de missão militar dos EUA

05/08/2019 16h53

Assunção, 5 ago (EFE).- O Senado do Paraguai autorizou nesta segunda-feira a entrada de uma missão militar dos Estados Unidos, apesar dos protestos de parte da oposição, que considerava que a questão não deveria ser discutida durante a crise política enfrentada pelo governo de Mario Abdo Benítez.

O senadores da Frente Guasú, um dos principais partidos da oposição no país, abandonaram a reunião extraordinária para discutir o tema e disseram considerar a medida inoportuna em um momento de "fricção e crise política".

Em comunicado, a Frente Guasú classificou como "pouco atinadas e não respeitosas" as recentes declarações do embaixador dos EUA em Assunção, Lee McClenny, sobre assuntos internos do país.

O partido se referia a publicações do diplomata no Twitter. McClenny disse ver com "profunda preocupação" a "sombra" de um impeachment de Abdo Benítez por causa de um acordo de compra de energia de Itaipu com o Brasil. Nas mensagens, o embaixador também pedia "respeito aos processos democráticos".

Apesar do protesto da Frente Guasú, o Senado aprovou a entrada ao Paraguai de dez instrutores do 20º Grupo de Operações Especiais dos EUA "com suas respectivas equipes, armamento e munição" para uma tarefa de treino de 11 de agosto a 11 de setembro.

A missão militar, que se deslocará em um avião da Força Aérea Americana, faz parte da Troca Conjunta Combinada (JCET, na sigla em inglês), um programa de assistência das forças especiais americanas, segundo o pedido feito pelo governo ao Senado paraguaio.

O governo de Abdo Benítez, que no dia 15 de agosto completará o primeiro dos seus cinco anos de mandato, atravessa uma grave crise após ser revelado o conteúdo de um polêmico acordo de compra de energia da hidrelétrica de Itaipu.

A crise provocou, até o momento, em cinco demissões de membros do alto escalão do governo, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni.

O Partido Liberal, o maior de oposição, promete apresentar ainda hoje um pedido contra o presidente e seu vice, Hugo Velázquez. Os liberais e outros integrantes da oposição consideram o acordo lesivo aos interesses do Paraguai.

Para tentar conter a crise, Abdo Benítez negociou com o Brasil a anulação do acordo e anunciou mudanças no conselho de administração do lado paraguaio de Itaipu. EFE