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Presidente do Paraguai diz que corrupção permitiu fuga de traficante do Comando Vermelho

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez - Pedro Ladeira- 11.jun.2018/Folhapress
O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez Imagem: Pedro Ladeira- 11.jun.2018/Folhapress

Em Assunção (Paraguai)

12/09/2019 13h26

O presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez classificou como caso de "corrupção", a fuga de Jorge Samudio, um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho na região da fronteira com o Brasil, enquanto era transferido de volta à prisão onde era mantido no departamento de Cordilerra.

"Houve corrupção e houve dinheiro envolvido", garantiu o chefe de governo, durante entrevista coletiva.

Abdo Benítez disse que os serviços de inteligência paraguaios não conseguiram identificar a ameaça existente, que acabou resultando na fuga do traficante conhecido como Samura e na morte do delegado Félix Ferrari, de 43 anos, que foi baleado no tórax durante a ação.

"No meu entendimento, houve planejamento e cumplicidade com alguns setores. Nota-se que se planejou, pagou e houve cumplicidade de órgãos do Estado. Isso tem que se investigar, tem que se punir e tem que seguir na luta", afirmou o presidente.

Samudio foi resgatado em uma ação do Comando Vermelho contra agentes da Polícia Nacional do Paraguai que o levavam de volta para a Penitenciária de Emboscada, que fica no departamento de Cordilerra, a cerca de 40 quilômetros de Assunção. Ele havia saído da prisão para participar de uma audiência judicial.

O agora foragido foi preso pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) em uma operação realizada em outubro de 2018 na fronteira com o Brasil. Ele era acusado de tráfico de drogas, associação criminosa, porte de armas e falsidade ideológica. Segundo o Ministério Público, ele possui imóveis em várias regiões do país.

"Sabíamos que o fato de tomar decisões drásticas, de expulsá-los, de lutar agressivamente contra esse flagelo, nos geraria muitos adversários. Isso é parte de uma guerra", admitiu Abdo Benítez, que prometeu não medir esforços para capturar Samudio mais uma vez.

A fuga teve consequências o pedido de demissão do ministro da Justiça do Paraguai, Julio Javier Ríos, que já era muito contestado há alguns meses, desde que aconteceram rebeliões em duas prisões do Paraguai, lideradas por membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), e em que morreram 10 presos.

O outro integrante do alto escalão que está sendo questionado após ação desta nesta quarta-feira é o ministro do Interior, Juan Ernesto Villamayor. Abdo Benítez, no contato de hoje com jornalistas, evitou falar sobre novas alterações.

"Nenhuma mudança garante uma melhor gestão. É importante manter a estabilidade até onde for possível, para fortalecer políticas e instituições", concluiu.

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