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Cresce incidência de covid-19 entre pessoas que voltam do Brasil ao Paraguai

Paraguaios esperam na Ponte da Amizade, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, durante surto de covid em Foz do Iguaçu (PR) - STRINGER/REUTERS
Paraguaios esperam na Ponte da Amizade, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, durante surto de covid em Foz do Iguaçu (PR) Imagem: STRINGER/REUTERS

De Assunção

09/05/2020 22h18

O Paraguai teve um aumento no número de casos do novo coronavírus para 689, 126 deles notificados de ontem para hoje, com uma alta prevalência de infecções entre pessoas que retornam do Brasil, embora o número de mortes por covid-19 permaneça em dez.

O número de novos casos no relatório divulgado neste sábado nas redes sociais pelo ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, é o maior em dois meses de quarentena, assim como o número de testes realizados em um dia, um total de 800.

Dos 126 casos, 124 correspondem a paraguaios que retornaram do Brasil e estão cumprindo isolamento em abrigos controlados pelas autoridades, um foi contagiado dentro do país e o outro não tem vínculo epidemiológico conhecido.

O relatório detalha que dez pacientes estão hospitalizados, seis a mais que nesta sexta-feira, enquanto três tiveram alta, um a menos que no dia anterior, elevando o número de pessoas curadas da infecção para 155.

O governo paraguaio tomou medidas para deter o avanço do coronavírus alguns dias após o primeiro caso ter sido detectado, em 7 de março, em um jovem que voltava de uma viagem de trabalho no Equador. O segundo positivo foi um homem idoso que estava na Argentina de férias.

Brasil é origem de contágios

Entretanto, os casos que inquietam as autoridades sanitárias são os notificados em Ciudad del Este, segunda maior cidade do país e que faz fronteira com o Brasil. Cresceu o número de pessoas que atravessam a fronteira e chegam ao Paraguai portando o vírus.

Paraguai e Brasil compartilham uma fronteira de 700 quilômetros que está fechada, como os outros postos fronteiriços paraguaios, desde meados de março, e só é permitida a entrada de mercadorias e regressos.

"O Brasil é talvez o lugar onde o coronavírus está mais difundido no mundo hoje, e isso é uma grande ameaça ao nosso país", declarou nesta sexta-feira o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez.

Desde a semana passada, o cerco sanitário foi reforçado em Ciudad del Este, a 330 quilômetros de Assunção, com uma maior presença militar para garantir a entrada dos retornados nas instalações estabelecidas como abrigos.

O Paraguai iniciou na última segunda-feira a primeira fase, que durará até o próximo dia 25, de um progressivo retorno das atividades produtivas. Nesta fase, está prevista a reativação de quase 60% da economia do país, segundo o governo.

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