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Governo peruano indica que 85% dos mortos por covid-19 eram obesos

AFP
Imagem: AFP

04/08/2020 01h15

Cerca de 85% dos quase 20 mil mortos com covid-19 no Peru eram obesos, 43% eram diabéticos e 27%, hipertensos, segundo informou nesta segunda-feira o Ministério da Saúde do país.

Essas três doenças crônicas aumentam a gravidade da covid-19 e colocam em risco a vida do paciente infectado pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Com base nos dados do Sistema Nacional de Informação sobre Mortes (Sinadef), a equipe de Promoção da Saúde do Ministério advertiu que a obesidade aumenta o risco de morte e complicações em doentes com covid-19.

A obesidade altera o sistema imunológico e diminui a função pulmonar ao causar uma maior resistência nas vias respiratórias e dificuldade para expandir os pulmões.

"Quando pacientes obesos precisam de ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI), é um desafio melhorar os seus níveis de saturação de oxigênio e ventilá-los", disseram especialistas.

O governo peruano registrou mais de 19.800 mortes entre os mais de 433 mil casos de covid-19 confirmados até o domingo passado.

Mortes suspeitas em análise

De acordo com estatísticas do Sinadef, o número de mortes no país pode chegar a 53 mil. O órgão mostra um aumento de 112% de mortes entre março e julho em relação ao mesmo período de 2018 e 2019.

Em discurso de posse no Congresso, o primeiro-ministro, Pedro Cateriano, afirmou nesta segunda-feira que 27.253 mortes consideradas suspeitas de covid-19 estão sendo analisadas.

Um mês após a suspensão da quarentena em 18 das 25 regiões do país, o Peru atravessar o momento mais crítico até agora, com quase 115 mil casos ativos em todo o país, o número mais alto desde o início da pandemia.

No início de julho, o número de casos ativos tinha caído para 97 mil. Os contágios dispararam na semana passada: na quinta-feira, o país bateu um recorde de novas infecções, com quase 7.500 em apenas 24 horas.

"Pequeno surto" para o governo

Apesar dessa tendência de alta, Cateriano disse que se tratava de "um pequeno aumento", declaração que foi criticada pelo reitor do Colégio Médico do Peru, Miguel Palacios, segundo o qual o premiê minimizou a situação.

"É realmente incrível como a curva está subindo não só em Lima, mas em outras regiões", disse Palacios sobre o recente colapso de hospitais em regiões que até então pareciam ter resistido, como Cusco.

Em entrevista à rádio "RPP Noticias", Palacios também expressou discordância em relação a um decreto de emergência emitido na segunda-feira pelo governo para que o sistema de saúde pública possa aumentar a força de trabalho com estudantes que terminaram os estudos, mas que ainda não estão formados.

"O decreto é apressado e até mesmo desnecessário. No início da pandemia, o Colégio Médico ativou o ensino virtual. Desta forma, ensinamos a 2.900 médicos e 986 especialistas em menos de 48 horas. No entanto, agora este decreto foi emitido, o que nos remete para o ano de 76", argumentou.