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Conteúdo publicado há
3 meses

América Latina reforça restrições devido à pandemia; Brasil é exceção

Voo da British Airways, do Reino Unido - Divulgação
Voo da British Airways, do Reino Unido Imagem: Divulgação

22/12/2020 12h59

Toque de recolher na véspera de Natal e até as suspensões de voos da Europa: grande parte da América Latina, com a notável exceção do Brasil, reforçou nas últimas horas as medidas de restrição para combater a pandemia do coronavírus e tentar retardar o avanço do contágio.

Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram hoje que já têm a capacidade de administrar as vacinas da Pfizer e da Moderna em cerca de 4 mil postos em todo o território nacional, segundo dados oficiais. Os americanos começaram a receber as primeiras doses do imunizante da segunda empresa farmacêutica nesta segunda-feira.

Enquanto é aguardada a chegada da vacina no resto do continente, a maioria dos países, alguns durante o período de férias de verão, estão tentando controlar a propagação da doença com decisões mais restrições, fechando rotas aéreas e exigindo o controle da população.

Toque de recolher

Na Colômbia, que no sábado estabeleceu um novo recorde de quase 14 mil infecções diárias e onde o número de mortes na sexta-feira ultrapassou 40 mil, várias autoridades locais impuseram novas restrições hoje, incluindo um toque de recolher sem precedentes na véspera de Natal e de Ano Novo.

"O Natal não está cancelado, mas vai ser diferente. Estas não são medidas que gostamos de tomar, mas é nosso dever porque não tomá-las seria irresponsável", declarou o prefeito de Medellín, Daniel Quintero.

Na cidade, a segunda maior do país vizinho, ninguém poderá sair entre as 20h e as 6h. Bogotá também implementou de hoje até 15 de janeiro um sistema através do qual as pessoas só poderão sair para comprar em dias alternados, em rodízio que levará em conta o último algarismo da carteira de identidade.

O governo do Equador, por sua vez, anunciou a adoção de um novo estado de emergência de 30 dias e um toque de recolher de 15 dias entre as 22h e as 4h, o que inclui uma lei seca.

"O número de infecções na capital continuou aumentando entre 15% e 17%. Hoje nos encontramos em uma situação vulnerável". Essas palavras são da subsecretária de Saúde do Chile, Paula Daza, e explicam a decisão do governo de antecipar o toque de recolher em duas horas em todo o país e manter a quarentena na região metropolitana de Santiago no Natal e na véspera de Ano Novo.

Dessa forma, a obrigação de permanecer em casa entrará em vigor às 22h, e não à meia-noite, como vinha acontecendo, e valerá até as 5h.

Restrições em janeiro

A Argentina, com 1,54 milhão de infecções e 41.813 mortes por covid-19, começou nesta segunda-feira uma nova extensão, até 31 de janeiro, das medidas restritivas diante de uma alta taxa de contágio.

Além disso, na preparação para as festas natalinas, a diretora nacional de epidemiologia, Analía Rearte, pediu respeito às recomendações de distanciamento social e para que as pessoas tentem realizar as celebrações em espaços abertos ou bem ventilados, além de não participarem de grandes reuniões.

No vizinho Uruguai, com menos mortes (119) e 4670 casos ativos, também foi aprovada uma lei para fechar as fronteiras até 10 de janeiro e para proibir aglomerações de pessoas por dois meses.

Voos do Reino Unido

As rotas aéreas de Argentina, Chile, Colômbia, República Dominicana e Canadá com o Reino Unido foram suspensas hoje, depois que uma nova variante do coronavírus foi descoberta no país europeu.

O Peru, que como a maioria das outras nações da região tomou essa decisão no domingo, foi além nesta segunda e preventivamente suspendeu todos os voos da Europa por duas semanas.

Apesar do início da vacinação, a medida também foi adotada pelos EUA, particularmente por Nova York, onde as autoridades fizeram um pedido não obrigatório a três companhias aéreas que operam voos com o Reino Unido - British Airways, Delta e Virgin Atlantic - para aplicar testes de coronavírus em seus passageiros.

Autocuidado

Entretanto, nem o Brasil, com 187.291 mortes e 7,2 milhões de casos, nem o México, com 118.202 e 1,3 milhão, respectivamente, tomaram quaisquer medidas para fechar as rotas aéreas com o Reino Unido.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou mais cedo que as autoridades sanitárias estudariam ainda hoje se devem tomar medidas sobre o assunto e anunciarão sua decisão nesta terça, enquanto no Brasil os voos continuam normalmente.

Em São Paulo, as autoridades pediram para serem respeitadas as restrições existentes e disseram apostar no autocuidado da população.

"A pandemia continua com força total. Antes dizíamos: 'fique em casa'. Agora, dizemos para tentar ficar em casa e, se for necessário sair, saia com responsabilidade", declarou o secretário de Saúde do estado, Jean Gorinchteyn.

São Paulo vive a expectativa pelo início da vacinação após o acordo do governo estadual e o Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac para receber 10,8 milhões de doses da chamada 'coronavac' até o final do ano.

No estado do Rio de Janeiro, embora o uso de unidades de terapia intensiva já exceda 90%, neste domingo as praias da capital viram multidões de banhistas na véspera do início do verão.

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