Rússia procura caixas-pretas e não vê sinais de terrorismo em queda de avião no Mar Negro

Por Andrew Osborn

MOSCOU (Reuters) - A Rússia ampliou nesta segunda-feira sua busca pelos restos de um avião militar que caiu no Mar Negro, matando todas as 92 pessoas a bordo, e disse que um erro do piloto ou uma falha técnica – mas não terrorismo – são as explicações mais prováveis para a tragédia.

O avião, um TU-154 do Ministério da Defesa russo, levava dezenas de cantores do Coral do Exército Vermelho, dançarinos e membros de uma orquestra que iam à Síria entreter as tropas russas na véspera do Ano Novo.

Nove repórteres russos também estavam a bordo, além de militares e de Elizaveta Glinka, integrante proeminente do conselho consultivo de direitos humanos do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Mergulhadores e submersíveis que procuram os gravadores de dados da aeronave percorreram um trecho de água de cerca de 1,6 quilômetro a partir de Sochi, resort situado no sul russo.

Quatro pedaços pequenos de fuselagem foram recuperados a uma profundidade de 27 metros, relatou a agência de notícias RIA, mas as correntezas fortes e as águas profundas estão complicando a busca.

O major-general Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo, disse que 11 corpos foram recuperados, mas a pasta negou uma reportagem da RIA segundo a qual alguns dos passageiros mortos usavam coletes salva-vidas.

Ele disse que a operação de busca por ar e mar, que já envolve cerca de 3.500 pessoas, está sendo ampliada.

Trinta e nove barcos, cinco helicópteros, um drone (aeronave por controle remoto) e mais de 100 mergulhadores estão participando, disse, e soldados também estão explorando a costa do Mar Negro.

Putin decretou um dia de luto no país nesta segunda-feira. Bandeiras foram hasteadas a meio mastro e estações de televisão retiraram programas de entretenimento de sua programação.

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, conduziu um minuto de silêncio durante uma reunião de governo, e pessoas depositaram flores no aeroporto de Sochi, de onde o avião decolou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os investigadores militares estão estudando todas as teorias, mas que a versão de que pode ter se tratado de um "ato terrorista" não está "nem perto do topo da lista".

O serviço de segurança FSB disse que até agora não encontrou qualquer indício apontando para um crime e que está analisando quatro causas prováveis, noticiou a agência de notícias Interfax: que um objeto estranho tenha caído no motor, que o combustível era de má qualidade e causou um problema no motor, um erro do piloto ou uma falha técnica.

O Ministério da Defesa disse que o avião, um Tupolev da era soviética construído em 1983, havia passado por manutenção pela última vez em setembro e que recebeu outros grandes reparos em dezembro de 2014.

Konashenkov disse que dez corpos e 86 fragmentos de corpos da queda foram enviados de avião a Moscou para que especialistas tentem identificá-los.

(Reportagem adicional de Polina Devitt e Andrey Ostroukh)

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