Em entrevista, Assad descarta negociar e diz que vencer guerra é a única opção

Em Beirute

  • Sana via AFP

    9.jan.2017 - Assad fala com a imprensa francesa em Damasco, em janeiro

    9.jan.2017 - Assad fala com a imprensa francesa em Damasco, em janeiro

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse não haver "nenhuma opção além da vitória" na guerra civil do país, afirmando, em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, que o governo não conseguiu obter "resultados" com os grupos de oposição que participaram de conversas de paz recentes.

A entrevista ao jornal croata Vecernji List pareceu ter sido realizada antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar Assad de ultrapassar muitos limites com um ataque com gás venenoso na terça-feira

A entrevista publicada nesta quinta-feira ressalta a confiança de Assad, que reiterou sua meta de impor uma derrota total à insurgência. Ele também reafirmou sua rejeição do federalismo almejado por grupos curdos no norte da Síria.

"Como disse algum tempo atrás, temos uma grande esperança que está se tornando maior; e esta esperança se baseia em nossa confiança, pois sem confiança não haveria nenhuma esperança. Seja como for, não temos nenhuma outra opção além da vitória. Se não vencermos esta guerra, significa que a Síria será apagada do mapa. Não temos escolha ao enfrentar esta guerra, e é por isso que estamos confiantes, somos persistentes e estamos determinados", afirmou.

Citando as incursões rebeldes recentes, Assad disse que "a oposição que existe é uma oposição jihadista no sentido pervertido da jihad". "É por isso que, na prática, não podemos chegar a nenhum resultado de fato com esta parte da oposição [nas conversas]."

Assad não foi questionado sobre o ataque químico na cidade de Khan Sheikhoun, no noroeste sírio, como mostrou um texto da conversa publicado pela agência estatal de notícias síria Sana. O governo negou enfaticamente o uso de armas químicas no ataque.

Após mais de seis anos de conflito, Assad aparenta estar militarmente inatacável nas áreas do oeste sírio onde se fortificou com a ajuda decisiva dos militares da Rússia e de milícias apoiadas pelo Irã vindas de toda a região.

Mais de 80 pessoas, incluindo ao menos 30 crianças, morreram no ataque químico de terça-feira.

Os russos dizem que as mortes foram causadas por um vazamento em um depósito de armas onde os rebeldes fabricavam armas químicas depois de este ser atingido por um ataque aéreo sírio. Os rebeldes negam esta versão.

Nas últimas semanas os insurgentes realizaram duas de suas ofensivas mais ousadas em muitos meses, atacando em Damasco e no norte da cidade de Hama, controlada pelo governo. O Exército diz que os dois ataques foram repelidos.

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