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Encontro entre enviados de governo e oposição da Venezuela termina sem acordo na Noruega

Nicolas Maduro - Getty Images
Nicolas Maduro Imagem: Getty Images

Terje Solsvik

29/05/2019 15h33

OSLO,CARACAS (Reuters) - Uma reunião de mediação entre o governo da Venezuela e a oposição terminou sem um acordo, conforme a Noruega mantém conversações entre os dois lados na busca de uma solução para o país sul-americano, disse o gabinete do líder da oposição Juan Guaidó, na quarta-feira.

Durante a reunião em Oslo, o gabinete de Guaidó disse que ratificou um roteiro para encerrar com a Presidência de Nicolás Maduro, instalar um governo de transição e realizar eleições livres que "resolveriam a tragédia que a Venezuela está sofrendo".

Seu gabinete não forneceu detalhes sobre desentendimentos, mas Maduro disse anteriormente que não se afastará da Presidência. Guaidó se autodeclarou em janeiro presidente interino e denunciou Maduro como ilegítimo depois de ter conseguido a reeleição no ano passado em uma votação bastante criticada como fraudulenta.

"Esta reunião terminou sem acordo. Nós insistimos que a mediação será útil para a Venezuela sempre que houver elementos que nos permitam avançar em apoio a uma verdadeira solução", disse o gabinete em um comunicado.

O gabinete de Guaidó disse que eles estavam dispostos a continuar o processo com o governo norueguês.

A anfitriã Noruega falou em "boa vontade" dos dois lados nesta segunda rodada de conversas.

"As partes têm demonstrado sua boa vontade para progredir em busca de uma solução consensual e constitucional para o país, o que inclui questões políticas, econômicas e eleitorais", disse o Ministério das Relações Exteriores da Noruega.

    Em seu comunicado, o governo norueguês conclamou os dois lados a mostrarem discrição nos comentários públicos para não prejudicar o processo.

    A Noruega tem uma longa tradição de mediação de conflitos, mas encara uma tarefa árdua para resolver a crise da Venezuela, que se tornou um xadrez geopolítico no qual dezenas de nações ocidentais e latino-americanas reconhecem Guaidó, enquanto Rússia e China apoiam Maduro.

    O colapso econômico levou mais de 3 milhões de venezuelanos a emigrarem nos últimos anos, e os protestos políticos muitas vezes degeneraram em violência.

(Reportagem de Terje Solsvik, em Oslo, e Angus Berwick, em Caracas)