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Ala bivarista do PSL busca terceiro nome para liderar bancada na Câmara

3.dez.2018 - O presidente do PSL, Luciano Bivar, no escritório de sua empresa, no Recife - Clara Gouvêa/UOL
3.dez.2018 - O presidente do PSL, Luciano Bivar, no escritório de sua empresa, no Recife Imagem: Clara Gouvêa/UOL

21/10/2019 17h09

Por Maria Carolina Marcello e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Deputados ligados o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), buscam agora assinaturas para escolher um terceiro nome para a liderança do partido na Câmara, apesar de o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) constar oficialmente como o novo líder do partido de Jair Bolsonaro na Casa, após uma lista com 28 assinaturas retirar Delegado Waldir (GO) do cargo mais cedo.

De acordo com o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP), houve um acordo, encabeçado pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, em que os dois lados —os favoráveis a Eduardo e a ala bivarista, que defendia a manutenção de Waldir — desistiriam de apresentar listas, em prol de um terceiro nome que pudesse amenizar o cisma interno na bancada.

Mas o pacto teria sido descumprido, quando o nome de Eduardo foi oficializado na liderança.

Segundo Bozzella, o ministro teria conversado com Bivar e os dois teriam concordado que a melhor saída seria buscar um terceiro nome para liderar a bancada.

O presidente do PSL decidiu, então, retirar a suspensão de 5 deputados do partido, manobra adota por ele na sexta-feira para impedir a briga de listas pela liderança. A conversa no início da manhã teria sido testemunhada por mais de uma dezena de pessoas, relatou o deputado.

"Bivar, sempre um gentleman, topou, para que a gente pudesse, naquele instante, seguir nesse rito, pacificar o partido", disse Bozzella à Reuters.

"Meia hora depois a gente foi surpreendido pela quebra de acordo", afirmou.

Às 9h30 desta segunda-feira, o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-GO), protocolava na Secretaria-Geral da Mesa (SGM) da Câmara uma nova lista, com 29 assinaturas —das quais 28 foram confirmadas—, para novamente destituir Waldir, e nomear, no lugar, Eduardo Bolsonaro.

O nome de filho do presidente já constava oficialmente no sistema da Casa como líder, quando o deputado, ainda relutante, afirmava ainda não estar certo de que ocupava o posto. Referiu-se, na ocasião, a uma outra lista que estaria sendo coletada para mudar novamente a liderança — o que depois foi confirmado pela SGM.

Segundo uma fonte do Planalto, ocorreu, de fato uma ligação de Bivar para Ramos, ocasião em que os dois tiveram uma primeira conversa sobre a escolha de um terceiro nome para liderar a bancada, mas não chegou a ocorrer um acordo, segundo esse relato, e não foi batido o martelo sobre quem seria o novo líder.

Na conversa, o ministro manifestou preocupação em relação a votações, principalmente a de projeto que trata, entre outras coisas, de alterações nas regras previdenciárias dos militares. O temor era que pudesse haver nova orientação de obstrução, como a feita por Waldir na última semana, quando a Câmara votava uma medida provisória de interesse do governo.

Mas confiante que havia um acordo, a ala bivarista já se movimentou após o telefonema: Bivar retirou a suspensão dos 5 deputados do PSL e Delegado Waldir gravou e divulgou vídeo, em que afirmava aceitar "democraticamente uma nova lista que foi feita por parlamentares" e se colocava "à disposição do novo líder para, de forma transparente, passar para ele toda a liderança do PSL".

Logo depois, no entanto, corria a notícia do protocolo da novo documento em favor de Eduardo.

Segundo a fonte do Planalto, a conversa entre Ramos e Bivar ocorreu perto das 8h da manhã, e o ministro não tinha conhecimento dessa nova lista preparada por Vitor Hugo.

Guerra de listas

Na quinta-feira passada, após perder uma briga de listas para destituir Waldir, Vitor Hugo anunciou que já coletava assinaturas para reverter o resultado. A fonte garante, no entanto, que o ministro só teria tomado conhecimento sobre a iniciativa de Vitor Hugo quando a lista já havia sido protocolada.

Já instalada a confusão, Ramos conversou com Vitor Hugo, que explicou ter chegado cedo na Câmara. Em tuítes nesta segunda, pouco depois de protocolar a lista pró-Eduardo, o líder do governo postou documento em que Bivar recua da decisão de suspender os 5 do PSL, afirmando que "não há qualquer suspensão registrada na Câmara. Nossos 5 deputados estão em plena atividade e suas assinaturas e vontades serão consideradas".

Horas depois, publicou na rede social uma justificativa: "Assim que foi publicada a notícia de que haveria uma quebra de acordo, o ministro @MinLuizRamos me ligou. Esclareceu que não fez qualquer acerto; que apenas manteve conversas preliminares e que não havia me falado nem mesmo sobre essas conversas, porque não tinha havido avanços", escreveu o deputado.

A SGM confirmou que uma segunda lista foi apresentada nesta segunda-feira pela manutenção de Waldir, mas ela ainda estava em fase de conferência de assinaturas.

Segundo Bozzella, a ideia agora é partir para um terceiro nome e encerrar o troca-troca de liderança.

"Independente de eles não cumprirem acordo, nós vamos fazer um gesto: vamos escolher um líder que contemple os dois lados", disse.

A guerra de listas para determinar o líder do PSL se estende desde a semana passada, quando o grupo do partido ligado a Bolsonaro tentou, sem sucesso, destituir Waldir e colocar Eduardo na liderança. O grupo vinculado a Bivar contra-atacou com uma lista para manter Waldir no posto.

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