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China fecha consulado americano em Chengdu em represália à decisão dos EUA

30.jun.2017 - China anunciou o fechamento do consulado americano na cidade de Chengdu - Jason Lee/Pool/AFP
30.jun.2017 - China anunciou o fechamento do consulado americano na cidade de Chengdu Imagem: Jason Lee/Pool/AFP

24/07/2020 05h50

A China anunciou hoje o fechamento do consulado americano na cidade de Chengdu, no sudoeste do país, em represália à decisão do governo americano de fechar a representação chinesa em Houston. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse ontem que o local era um centro de espionagem para obter segredos comerciais, e convocou as "nações livres" a conterem a "nova tirania" chinesa.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, o fechamento "é uma resposta legítima e necessária às medidas pouco razoáveis adotadas pelos Estados Unidos." O comunicado não traz maiores precisões sobre o motivo da decisão. Os Estados Unidos decidiram fechar a representação poucas horas depois do indiciamento de dois chineses acusados de hackear dados sobre uma vacina americana contra a covid-19.

O governo chinês não deu maiores detalhes sobre a data exata do fechamento do consulado americano. Em Houston, o governo Trump deu 72 horas para que os cerca de 200 diplomatas deixassem o local.

"A situação atual das relações sino-americanas não correspondem ao que a China deseja e os Estados Unidos são totalmente responsáveis pela situação", denunciou Pequim, pedindo que Washington crie as condições necessárias para que as relações bilaterais voltem ao normal."

O governo chinês já havia anunciado novas represálias contra o fechamento de seu consulado na cidade do Texas, no sul do país, caso Washington não voltasse atrás em sua decisão. Além da embaixada em Washington, a China tem representações em outras cinco cidades nos Estados Unidos.

A tensão entre os dois países vem sendo alimentada por diferenças comerciais e acusações mútuas sobre a origem da covid-19 e cresceu nas últimas semanas com a imposição de uma lei de segurança nacional em Hong Kong.

Washington denuncia a lei que destrói a autonomia da antiga colônia britânica e tomou medidas de represália econômicas contra a região autônoma chinesa. Pequim denuncia uma ingerência em seus negócios internos.

Resposta gradual

O chefe da diplomacia americana pediu às "nações livres" do mundo que se comprometam a vencer a ameaça do que considerou uma "nova tirania" do gigante asiático. A China é hoje cada vez mais autoritária em seu país e agressiva em sua hostilidade e relação à liberdade em qualquer outro lugar", disse Pompeo, que deixou claro o alto grau de rivalidade entre as duas potências. "Se o mundo livre não muda a China comunista, a China comunista nos mudará", assinalou, lembrando a Guerra Fria.

Pompeo acusou Pequim de se aproveitar "da generosidade dos Estados Unidos" e de outros países ocidentais para implementar reformas e se unir à economia global nas últimas quatro décadas. O chefe diplomático assinalou que o país rompeu os compromissos internacionais envolvendo a autonomia de Hong Kong, Mar da China Meridional e o freio ao roubo de propriedade intelectual.

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