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França começará vacinação em casas de repouso, mas apenas 19% dos cuidadores pretendem se vacinar

França começará vacinação em casas de repouso, mas apenas 19% dos cuidadores pretendem se vacinar -                                 Reuters/Imago Imagens/Direitos reservados
França começará vacinação em casas de repouso, mas apenas 19% dos cuidadores pretendem se vacinar Imagem: Reuters/Imago Imagens/Direitos reservados

18/12/2020 16h15

A Agência Europeia de Medicamentos se reunirá na próxima segunda-feira, dia 21, e deverá autorizar o uso da vacina Pfizer BioNtech nos 27 países do bloco. O início das campanhas nacionais está previsto para 27 de dezembro - a Espanha, por exemplo, já confirmou esta data. O governo francês definiu que o primeiro grupo será o de residentes das 7.200 casas de repouso do país (43% públicas), o que representa cerca de 600 mil idosos, e os 400 mil cuidadores dessa população.

A vacinação contra a covid-19 começará na França com uma grande interrogação no ar: qual será o grau de adesão dos franceses à imunização?

Uma pesquisa interna realizada no início de dezembro pela federação nacional de casas de repouso, conhecidas na França pela sigla Ehpad, mostrou que 76% dos cuidadores profissionais não pretendem tomar a vacina. Apenas 19% disseram que irão se vacinar; 5% estavam indecisos. Os aposentados estão um pouco mais animados: 53% dos idosos ouvidos querem tomar a vacina, enquanto 38% rejeitam a imunização.

Se o pessimismo ligado à vacina perdurar, essa situação poderá comprometer os principais objetivos do governo: atenuar a pressão nos hospitais e proteger os mais vulneráveis. Os cuidadores são importantes para incentivar os idosos sobre os benefícios da vacinação. Dos 59.000 mortos pela Covid-19 na França, cerca de 25.000 (42%) eram residentes de casas de repouso.

Caberá ao idoso dar um consentimento por escrito à vacinação, depois de passar por uma consulta médica que irá avaliar se existe ou não contra-indicação em seu caso. Esse processo, que sequer começou na maioria das casas de repouso, deve intensificar a campanha na segunda semana de janeiro.

Uma comissão de ética ainda irá decidir neste fim de semana sobre a situação dos dependentes, pacientes de Alzheimer, por exemplo, que contam com uma tutela judicial. Os ensaios clínicos da vacina da Pfizer/BioNtech não incluíram pessoas nessa situação, já que elas não podiam dar seu consentimento para os testes. O Ministério da Saúde francês quer tomar todas as precauções nesses casos específicos.

Campanha começa em ritmo lento

A primeira fase da vacinação vai cobrir relativamente um pequeno número de pessoas, em relação aos 67 milhões de habitantes do país. A França vai receber cerca de 1,16 milhão de doses da vacina da Pfizer/BioNTech até o dia 31 de dezembro. Para alcançar a proteção contra a Covid-19, são necessárias duas doses num intervalo de três semanas. A fase 2 do plano está prevista de fevereiro a junho, para 14 milhões de pessoas que apresentam um fator de risco ligado à idade ou a uma patologia crônica, bem como determinados profissionais de saúde. Só a partir do verão, em junho, está prevista uma campanha ampla para maiores de 18 anos.

Alguns especialistas questionam essa estratégia: por que não vacinar primeiro as pessoas que estão mais expostas ao contágio em razão do trabalho, ou pelo menos simultaneamente aos idosos, para conter globalmente a epidemia? É um debate entre especialistas.

Macron diz que está bem, mas reduziu atividade

O presidente francês publicou um vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira (18) para dar informações sobre seu estado de saúde, um dia depois de ser diagnosticado positivo para o coronavírus. Sem terno, vestido com um sueter de gola alta e olhos avermelhados, ele disse que estava bem, mas com os mesmos sintomas da véspera: cansaço, dor de cabeça, tosse seca e com um ritmo de atividade mais lento.

O presidente prometeu que irá regularmente informar os franceses sobre seu estado de saúde e de forma transparente. Macron está isolado em Versalhes, em um antigo pavilhão de caça que se tornou residência de fim de semana da presidência.

No vídeo, Macron tenta encerrar a polêmica que agita o país desde o comunicado oficial sobre sua contaminação. Uma parte da imprensa condenou os vários almoços e jantares que o presidente promoveu nesta semana, no Palácio do Eliseu, alguns com 12 convidados, ao mesmo tempo em que o governo repete diariamente aos franceses que eles só podem se reunir com seis pessoas.

Macron garantiu que respeita as regras de prevenção, que usa máscara e álcool gel, mas que, sem dúvida, contraiu o coronavírus "em um momento de negligência e de falta de sorte". Ele argumentou que se não prestasse atenção, com a quantidade de pessoas que encontra diariamente desde o início da epidemia, teria pego a infecção mais cedo e contaminado um grande número de pessoas.

"Ontem, 18 mil franceses testaram positivo como eu, esse vírus não poupa ninguém", disse no vídeo. Ele pediu aos franceses que tomem todo o cuidado para não se contaminar durante as festas de fim de ano.

Macron vai completar 43 anos na próxima segunda-feira (21). Ele disse acreditar que não sofrerá com complicações da doença por causa da idade. O chefe de Estado é tratado por um médico das Forças Armadas. O ministro da Saúde, Olivier Verán, acredita que o contágio aconteceu na semana passada, durante a cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas. Em princípio, o presidente francês ficará em isolamento em Versalhes por mais seis dias.

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