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Eurostar, o trem que atravessa o Canal da Mancha, corre o risco de falência por causa da pandemia

Ciclista passa em frente ao novo trem da Eurostar, que promoveu um evento de divulgação no Hyde Park, no centro de Londres, nesta quinta-feira (7) - Andrew Winning/Reuters
Ciclista passa em frente ao novo trem da Eurostar, que promoveu um evento de divulgação no Hyde Park, no centro de Londres, nesta quinta-feira (7) Imagem: Andrew Winning/Reuters

19/01/2021 17h39

Símbolo da relação cordial entre a França e o Reino Unido, o Eurostar - trem que liga os dois países por meio de um túnel sob o Canal da Mancha - corre o risco de falir nos próximos meses. Em razão da pandemia de Covid-19, que diminuiu de forma drástica o número de viajantes, a empresa que administra o serviço afirma que não poderá continuar funcionando se não tiver uma ajuda suplementar dos governos francês e britânico.

"Uma catástrofe é possível", declarou na segunda-feira (18) o diretor-geral do Eurostar, Jacques Damas. Segundo ele, uma suspensão de pagamentos de suas dívidas pode acontecer no segundo trimestre deste ano, "quando tivermos gastado todo nosso dinheiro". "Se a crise piorar, isso pode acontecer ainda mais cedo", alertou.

O Eurostar perdeu 82% de seu faturamento no ano passado. Segundo seus administradores, a empresa viu seu resultado dividido por vinte entre o segundo e o quarto trimestre de 2020. "Resumindo, faturamos apenas 5% do habitual desde 1° de abril", desabafou Damas.

Segundo o executivo, o sistema Eurostar "sofre mais do que as companhias aéreas", pois é submetido ao acúmulo de regras sanitárias impostas nos diferentes países que atende (Grã-Bretanha, França, Bélgica e Holanda).

A situação piorou desde o início de 2021, com a nova variante do vírus da Covid-19 que circula no Reino Unido. Atualmente, apenas um trem faz o trajeto de ida e volta diariamente entre Londres e Paris e outro faz o trecho Londres-Bruxelas-Amsterdã, contra 18 trens em dias normais. E, mesmo assim, 80% dos vagões estão vazios.

A direção da empresa fez uma redução drástica dos gastos, colocou a maior parte do pessoal de licença e fez um empréstimo de ? 450 milhões (quase R$ 3 bilhões), além de ter obtido ? 210 milhões (R$ 1,3 bilhão) de seus acionistas. O Eurostar solicita agora ter acesso aos mesmos empréstimos oferecidos às companhias aéreas para enfrentar a crise sanitária, além de uma redução temporária dos pedágios cobrados pela circulação de seus trens.

Francesa na Inglaterra e inglesa na França

A SNCF, estatal francesa de transportes ferroviários, é proprietária de 55% da Eurostar, e 40% pertence a um consórcio composto por um banco canadense (30%) e um fundo britânico (10%). Os 5% restantes são da estatal ferroviária belga SNCB (5%). Segundo Damas, os acionistas atuais não podem fazer mais nada e a única solução é obter uma ajuda dos governos, principalmente da França e do Reino Unido.

O ministério britânico dos Transportes, que já foi solicitado, disse apenas que "discute de forma regular com o Eurostar desde o início da epidemia". Já do lado francês, o Ministério dos Transportes não quis comentar a situação. "Nós apoiaremos as empresas de transporte ferroviário e aéreo como fazemos desde o início", se contentou em dizer o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire.

O presidente da SNCF, Christophe Fanichet, ressalta o impasse que faz parte da história do Eurostar, cuja sede é em Londres, mesmo se a estatal francesa é majoritária. "É uma empresa francesa na Inglaterra, então ela não é ajudada pelos ingleses. E ao mesmo tempo não é ajudada pelos franceses, pois ela está situada na Inglaterra."

O Eurostar faz o trajeto entre Londres e Paris em menos de três horas, e pode alcançar a velocidade de 300 km/h. Em 2019, o serviço transportou mais de 11 milhões de passageiros.

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