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Na diplomacia das vacinas, Israel troca imunizante por reconhecimento de Jerusalém como capital

Criação de vacina, laboratório, pesquisa - Matt Turner/iStock
Criação de vacina, laboratório, pesquisa Imagem: Matt Turner/iStock

Sami Boukhelifa

Jerusalém

25/02/2021 09h36

No combate à covid-19, Israel é exemplo mundial. A metade da população do Estado hebreu já recebeu pelo menos uma dose da vacina contra o coronavírus e um terço está completamente imunizada, com as duas injeções. Na esteira dessa campanha bem-sucedida, o país aproveita para se promover no cenário internacional - e doa vacinas em troca do reconhecimento oficial de Jerusalém como capital de Israel.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que Estados do mundo inteiro procuraram o governo israelense para receber vacinas. Até o momento, cerca de 15 devem se beneficiar, rapidamente, com a doação de quase 100 mil doses oferecidas pelo país hebreu, mas a lista completa não foi divulgada.

A emissora pública Kan indica que a República Tcheca, Chade, Guatemala e Honduras estão entre os favorecidos, em troca do reconhecerem Jerusalém como capital israelense - algo que vai de encontro ao consenso internacional, já que a cidade também é reivindicada pelos palestinos.

Palestinos também receberão

Em 2017, porém, o ex-presidente americano Donald Trump rompeu com o paradigma e declarou Jerusalém como "capital indivisível" de Israel. Desde então, os israelenses se esforçam para ampliar essa via, à qual a vacinação contra a Covid é vista como uma oportunidade de ouro, relata o correspondente da RFI no país, Sami Boukhelifa.

Assim, os países beneficiados teriam recém aberto ou se comprometido a abrir representações diplomáticas na cidade santa. Além disso, os palestinos moradores de Jerusalém também devem receber doses - o objetivo é calar as críticas feitas aos israelenses a respeito do tratamento dispensado à população da área ocupada.

Enquanto quase todos os países do mundo penam a obter doses do imunizante, como Israel se dá ao luxo de distribui-lo? Para se abastecer, Tel Aviv recorreu aos laboratórios americanos PfizerBioNTech, principalmente, e Moderna.

São as injeções da Moderna que serão doadas, já que elas exigem uma temperatura de conservação diferente da vacina da Pfizer, utilizada em prioridade. Enquanto os estoques desta não terminarem, os da Moderna devem permanecer sob refrigeração. A situação levou o premiê Netanyahu a elaborar a estratégia da diplomacia da vacina.

A decisão não agradou a todos. A iniciativa tem suscitado críticas de israelenses descontentes com os custos das doações, pagas pelo Estado de Israel. O ministro da Defesa Benny Gantz, rival político do premiê, denuncia que Netanyahu "dirige o país como uma monarquia".

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