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Ativista bielorrusso visto como ameaça ao governo é achado morto na Ucrânia

O corpo de Vitaly Shishov, diretor de uma ONG e líder da diáspora bielorrussa em Kiev, foi achado na Ucrânia - Reprodução/Instagram
O corpo de Vitaly Shishov, diretor de uma ONG e líder da diáspora bielorrussa em Kiev, foi achado na Ucrânia Imagem: Reprodução/Instagram

Da RFI*

03/08/2021 05h17Atualizada em 03/08/2021 07h38

Vitaly Shishov, diretor de uma ONG e líder da diáspora de bielorrussa em Kiev, que estava desaparecido desde ontem na Ucrânia, foi encontrado morto em Kiev, anunciou hoje a polícia ucraniana, que iniciou uma investigação por "assassinato".

"O cidadão bielorrusso Vitaly Shishov, desaparecido ontem em Kiev, foi encontrado enforcado hoje em um dos parques de Kiev, perto do local em que residia", afirmou a polícia ucraniana em um comunicado.

De acordo com uma das hipóteses investigadas, o caso poderia ser um "assassinato camuflado como suicídio", indicou a polícia.

Shishov, que dirigia a organização "Casa Bielorrussa na Ucrânia", uma ONG de ajuda aos cidadãos da Belarus que fugiram do país, saiu para correr ontem de manhã em Kiev e não retornou para casa.

A ONG de Shishov denunciou o regime do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko de estar por trás do assassinato.

Perigo para o regime

"Não há nenhuma dúvida de que é uma operação planejada pelos 'chekistas' (termo para designar as forças de segurança bielorrussas) para liquidar um bielorrusso que representava um verdadeiro perigo para o regime", afirmou a organização "Casa Bielorrussa na Ucrânia" em sua conta no Telegram.

A ONG bielorrussa de defesa dos direitos humanos Viasna informou no Telegram que, segundo amigos de Shishov, ele já havia sido seguido por "desconhecidos" durante suas corridas.

Vários bielorrussos fugiram do país e seguiram especialmente para Ucrânia, Polônia e Lituânia, em um período de intensa repressão da oposição ao regime de Lukashenko, que governa desde 1994 a ex-república soviética que fica no meio do caminho entre a União Europeia e a Rússia.

Atleta em Tóquio

O caso de Vitaly Shishov aconteceu um dia depois do incidente nos Jogos Olímpicos de Tóquio com a atleta bielorrussa Kristina Tsimanuskaya, que afirmou ter sido obrigada a abandonar a competição e foi ameaçada de ser enviada de volta ao país depois que criticou a federação de atletismo de Belarus nas redes sociais.

A velocista de 24 anos se refugiou na embaixada da Polônia, país que concedeu visto humanitário ontem. Ela deve embarcar para o país amanhã.

O histórico movimento de protesto após as eleições em Belarus no ano passado foi reprimido com várias detenções, exílios forçados de opositores e o desmantelamento de muitas ONGs e meios de comunicação independentes.

Prisão de opositor

O opositor bielorrusso Viktor Babaryko, que pretendia disputar a eleição presidencial de 2020 contra Alexander Lukashenko, foi condenado em 6 de julho de 2021 a 14 anos de prisão por corrupção, um crime que sempre negou ter cometido. O ex-banqueiro cumpre a pena em uma colônia penitenciária de segurança máxima.

Viktor Babaryko, de 57 anos, chegou a ser considerado um dos concorrentes mais fortes de Lukashenko. No entanto, ele foi detido semanas antes das eleições presidenciais de 2020 em Belarus sob acusações de ter recebido subornos e de ter organizado operações de lavagem de dinheiro.

"Podemos construir um país com valores humanistas, onde o ser humano é respeitado", afirmou Babaryko durante o julgamento. O ex-banqueiro disse ainda acreditar em "uma Belarus feliz, honesta e aberta".

Partidários do ex-banqueiro e opositores de Lukashenko denunciaram a condenação.

Desvio de voo

Em 23 de maio deste ano, um avião comercial da Ryanair que fazia a rota Atenas (Grécia) — Vilnius (Lituânia) foi obrigado a desviar a rota e fazer uma parada em Minsk, capital de Belarus, por causa de uma suposta ameaça de bomba. No entanto, o alerta era falso. O desvio foi uma desculpa para deter o jornalista dissidente Roman Protasevich. O ato provocou protestos furiosos de líderes internacionais.

O "sequestro" deste voo foi duramente criticado pela comunidade internacional, que temia que este incidente pudesse encorajar Lukashenko a realizar outras operações especiais contra seus opositores que vivem no exílio. Em mais uma tentativa para punir o governo de Minsk, os dirigentes do bloco europeu decidiram impor novas sanções econômicas contra a ex-república soviética. No dia seguinte ao incidente, eles proibiram que aeronaves do país sobrevoem o espaço aéreo do bloco.

*Com informações da AFP

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