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Cineasta pernambucano apresenta filme sobre sua avó em festival em Paris

30/09/2021 14h38

"Elos da Matriarca", do cineasta pernambucano Thor de Moraes Neukranz, é um dos filmes que compõem a 17ª edição do Festival Brésil en Mouvements, que acontecerá entre os dias 1 e 3 de outubro no Cinéma Les Parnassiens, em Paris. O documentário, que será exibido no dia 2 de outubro na capital francesa, com a presença do autor, usa imagens de arquivo da família e foi filmado no bairro de Água Fria, no Recife, onde ele vive. 

"Elos da Matriarca", do cineasta pernambucano Thor de Moraes Neukranz, é um dos filmes que compõem a 17ª edição do Festival Brésil en Mouvements, que acontecerá entre os dias 1 e 3 de outubro no Cinéma Les Parnassiens, em Paris. O documentário, que será exibido no dia 2 de outubro na capital francesa, com a presença do autor, usa imagens de arquivo da família e foi filmado no bairro de Água Fria, no Recife, onde ele vive. 

Por Paloma Varón

O cineasta conta que o filme era, a princípio, um trabalho de conclusão de curso na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ele não tinha a intenção de levá-lo mais longe. 

"Este filme foi um trabalho final da disciplina Cinemas Expandidos, do curso de Cinema da UFPE. Eu juntei várias estéticas e formatos audiovisuais, passando por VHS, DVD e celular e, quando eu mostrei na universidade, o pessoal chorou, todo mundo gostou, aplaudiu, e disse que eu deveria continuar este trabalho. Nos meses seguintes, continuei revendo o material - que são arquivos da minha família de 1995, 2005 e da época atual", explica Thor, que concluiu a montagem há apenas dois meses, contando com a ajuda de amigos voluntários. 

A estrela do filme é a matriarca de sua família, sua avó materna Luzinete Lupercina, de 85 anos. "Este filme é a coisa mais importante que eu fiz na vida até agora. Mostrar um pouco desta mulher, o afeto e a potência que ela tem", diz, empolgado. Thor destaca a "história de superação" desta mãe solteira de 12 filhos (11 vivos).

"Ela vive a vida pelo amor; é uma inspiração para mim e tenho certeza de que para quem assistirá ao filme também vai ser", conta o cineasta, que mostrou o filme para a avó e a família no aniversário de 85 anos da dela, em agosto deste ano. 

Retrato do Brasil

Para o cineasta, apesar de partir de um tema pessoal, seu filme é também político e social e "é extremamente representativo, porque a gente sabe que no Brasil temos milhões de mães solteiras, que é o caso da minha avó".

"Esta população da camada popular, de pele escura, é muitas vezes representada de forma superficial, com muitos estereótipos, mas neste filme não: eu estou do lado dela literalmente, eu cresci com ela", conta o cineasta.

Ao mostrar a vida da avó nos últimos 25 anos, Thor trata fala indiretamente da expansão da religião evangélica no Brasil. "A minha família, nos anos 1990, fazia muitas festas com pagode, cerveja, e cada vez mais foi se tornando evangélica, que é uma cultura mais formal, que não permite a bebida...", conta. 

O documentário intimista fala também da pandemia e do negacionismo: "A minha avó, assim como eu, é uma pessoa que rejeita profundamente este criminoso que está no poder no Brasil hoje, mas, mesmo assim, este discurso foi um pouco absorvido por ela", lamenta.

A avó, que desdenhou da pandemia, conta, acabou por se infectar e desenvolver a Covid-19. "Tem esta carga dramática pesada no fime, que também é extremamente representativa do Brasil de hoje."

Outros festivais

Nascido em 1991 no Recife, Thor de Moraes Neukranz é filho de um imigrante alemão branco e uma brasileira preta e sempre morou em Água Fria, no subúrbio da capital pernambucana. Como ele mesmo faz questão de frisar, os contrastes sociais e raciais sempre fizeram parte de sua vida.

Em 2016, Thor se formou documentarista na oficina da escola de cinema francesa Ateliers Varan feita no Recife. No projeto, realizou o documentário "Dibuiar", que foi selecionado para as edições de 2017 do DOC-Cévennes e do Festival Brésil en Mouvements, mesmo ano em que o pernambucano ingressou no curso de Cinema da UFPE.

O filme "Elos da Matriarca", que não conta com recursos públicos nem de empresas privadas, também foi selecionado para o First Nations Film and Video Festival, que acontece em Chicago, nos Estados Unidos, para o 14º Encontro de Cinema Zózimo Bulbul, do Rio de Janeiro, o 11ª Circuito Penedo de Cinema, de Maceió, e será exibido na cidade de Rennes, na França, no 14º Ciné-Brésil, que acontecerá na Maison internationale de Rennes. 

Em Paris, o filme será exibido no sábado, 2 de outubro, às 15h. Para ver a programação completa do festival Brésil en Mouvements (Brasil em Movimentos), clique aqui