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Preso há mais de um ano, opositor Navalny é incluído em lista de 'terroristas' na Rússia

25/01/2022 12h04

A Rússia incluiu nesta terça-feira (25) na lista de "terroristas e extremistas" do país Alexei Navalny, o principal opositor de Vladimir Putin, que está preso há mais de um ano. A decisão é mais um capítulo da repressão russa contra as pessoas que criticam o governo. 

A Rússia incluiu nesta terça-feira (25) na lista de "terroristas e extremistas" do país Alexei Navalny, o principal opositor de Vladimir Putin, que está preso há mais de um ano. A decisão é mais um capítulo da repressão russa contra as pessoas que criticam o governo. 

De acordo com o Fundo de Luta contra a Corrupção, organização de Navalny, proibida desde junho pelas autoridades, pelo menos outras nove pessoas vinculadas ao movimento foram adicionadas à lista. Entre elas, Liubov Sobol, uma das principais colaboradoras do opositor que está no exílio. A lista é elaborada pelo Rosfinmonitoring, o serviço de vigilância financeira do país.

A decisão se enquadra em um contexto de crescente repressão à oposição no país, tanto contra políticos, quanto meios de comunicação e personalidades da sociedade civil críticos ao presidente Vladimir Putin. Em meados de janeiro, outros dois importantes colaboradores de Navalny, Ivan Khdanov e Leonid Volkov, também no exílio, já haviam entrado no cadastro do Rosfinmonitoring.

A lista contém milhares de pessoas e organizações proibidas na Rússia, como o grupo Estado Islâmico e os talibãs afegãos.

Tentativa de assassinato por envenenamento

Navalny foi detido em 17 de janeiro de 2021 ao desembarcar em Moscou. Ele passou meses em tratamento na Alemanha, após ter sido envenenado na Sibéria. O opositor atribui a tentativa de assassinado ao governo de Putin. A Rússia não abriu uma investigação sobre a suspeita de homicídio, afirmando que não há provas. Moscou diz que a Alemanha não compartilhou os exames médicos feitos em Navalny, comprovando o envenenamento.

Em seu retorno à Rússia, o opositor do Kremlin, de 45 anos, foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de "fraude". Ele denuncia a acusação como puramente política. Sua condenação provocou uma enxurrada de críticas internacionais e novas sanções ocidentais contra Moscou. Instituições importantes, como o Parlamento Europeu, expressaram apoio a Nalvany, que recebeu em 2021 o prêmio Sakharov de defesa da liberdade de consciência.

Apesar de estar na prisão, Navalny continua a convocar os russos para que mantenham a firmeza contra os abusos do Kremlin. Ele declarou este mês que "não se arrepende nem por um segundo" de ter retornado ao país.

Manifestações pró-Navalny reprimidas

A detenção do opositor provocou vários protestos no ano passado, mas as manifestações foram reprimidas com violência. A repressão aos partidários de Navalny foi seguida por uma campanha contra os meios de comunicação e ONGs críticos ao Kremlin. Essas organizações foram designadas "agentes estrangeiros", uma denominação que afeta a atuação delas e as expõe a problemas legais.

Em dezembro, a emblemática ONG Memorial, que trabalha pela defesa dos direitos humanos e para preservar a memória dos Gulag, foi proibida pela justiça e acusada de não ter cumprido as regras da controversa lei sobre "agentes estrangeiros".

Já o movimento político de Navalny foi proibido em 2021, acusado de "extremismo". O opositor é alvo de novos processos judiciais, também por "extremismo", e pode ser condenado a vários anos de prisão.

(Com AFP)