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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Hungria bloqueia embargo ao petróleo russo e adia novo pacote de sanções

A Hungria continua a se opor à proposta da União Europeia que visa proibir as importações do petróleo russo - Sergei Karpukhin/Reuters
A Hungria continua a se opor à proposta da União Europeia que visa proibir as importações do petróleo russo Imagem: Sergei Karpukhin/Reuters

Letícia Fonseca-Sourander

Correspondente da RFI em Bruxelas

09/05/2022 06h14Atualizada em 09/05/2022 06h42

A Hungria continua a se opor à proposta da União Europeia que visa proibir as importações do petróleo russo, adiando assim a adoção do sexto pacote de sanções contra Moscou. A intenção de Bruxelas era fechar um acordo até esta segunda-feira, 9 de maio, quando se comemora o Dia da Europa, que celebra a paz e a unidade do continente europeu, mas a comemoração será ofuscada pela guerra na Ucrânia.

O sexto pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia é o mais amargo, por se tratar de um embargo total às importações do petróleo russo, proposto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na semana passada, diante do Parlamento Europeu. Segundo a chefe do executivo europeu, "será um embargo a todo petróleo russo, entregue por via marítima ou oleodutos, bruto ou refinado".

A ideia de Bruxelas é eliminar gradualmente o fornecimento do petróleo bruto, nos próximos seis meses, e o de produtos refinados, até o final do ano. No domingo, a reunião dos 27 países do bloco terminou sem acordo por causa da Hungria. Assim como a Eslováquia, Budapeste é extremamente dependente do petróleo russo e não aceitou a isenção proposta por Bruxelas de um prazo mais prolongado para continuar comprando o produto até o final de 2024.

Com isso, a adoção do novo pacote de sanções, que precisa ser aprovado por unanimidade, foi adiada. As negociações devem ser retomadas até terça-feira (10).

Além do petróleo, as novas sanções visam retirar mais três bancos russos - inclusive o Sberbank, o maior do país - do sistema de transferências internacional Swift, congelar os bens de 58 personalidades, oficiais e militares russos - entre eles o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, e sua família - além do chefe da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill.

Financiamento indireto da guerra na Ucrânia

Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, organização independente baseada na Finlândia, a União Europeia importou ? 44 bilhões em petróleo, gás e carvão russos desde o início da invasão das tropas russas na Ucrânia, no último 24 de fevereiro. Os maiores compradores do bloco são a Alemanha, Itália, Holanda e França.

Mas este financiamento indireto da guerra na Ucrânia deve acabar, parcialmente, com o novo pacote de sanções. Apesar do medo que o corte do produto possa provocar na Europa, o impacto no mercado petrolífero mundial, a União Europeia não pretende deixar de agir.

Os consumidores europeus vão precisar estar conscientes das consequências do embargo em suas rotinas diárias. Mas, como indagou o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, "Queremos ter paz ou o ar condicionado ligado o verão inteiro?".

As primeiras sanções contra Moscou, impostas logo após a invasão das tropas russas na Ucrânia, tiveram um objetivo financeiro e atingiram bancos e alguns setores econômicos do país. Agora, com este sexto pacote de sanções, o alvo será o setor energético, que é o centro das relações UE-Rússia.

Especialistas ressaltam, no entanto, que o petróleo não detém a maior fatia do mercado energético da Rússia e que a dependência da União Europeia do gás russo é muito mais forte. Por isso, proibir as importações de gás neste momento parece inviável.

Dia da Europa sem clima de comemoração

Não há muito o que comemorar neste 9 de maio, dia da Europa, quando se festeja a paz e a unidade no continente europeu. É nesta data que é celebrada a histórica "Declaração Schuman", que expôs a visão de Robert Schuman sobre uma nova forma de cooperação na Europa. Muitos acreditam que a União Europeia teve início com a proposta desta importante personalidade política do Velho Continente.

Porém, a Guerra na Ucrânia que entra em seu 75º dia, não vai deixar espaço para celebrações este ano. A comissária do Conselho da Europa para os Diretos Humanos, Dunja Mijatovic, denunciou no sábado (7) violações "vertiginosas" dos direitos humanos e do direito internacional humanitário pelo exército russo na Ucrânia, após uma visita de quatro dias à Kiev e região.