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Festival de Cannes começa com presença de astros de Hollywood e sob a sombra da guerra na Ucrânia

17/05/2022 07h14

A 75ª edição do Festival de Cinema de Cannes começa nesta terça-feira (17), com a presença de estrelas de Hollywood e sob a sombra da guerra na Ucrânia. Depois de dois anos abalado pela pandemia de Covid-19, o evento recupera seu ritmo e glamour. Vinte e um filmes concorrem à Palma de Ouro, mas nenhum longa brasileiro recente integra a competição oficial. O único filme nacional exibido em Cannes este ano será o clássico "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha.

A 75ª edição do Festival de Cinema de Cannes começa nesta terça-feira (17), com a presença de estrelas de Hollywood e sob a sombra da guerra na Ucrânia. Depois de dois anos abalado pela pandemia de Covid-19, o evento recupera seu ritmo e glamour. Vinte e um filmes concorrem à Palma de Ouro, mas nenhum longa brasileiro recente integra a competição oficial. O único filme nacional exibido em Cannes este ano será o clássico "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha.

Adriana Brandão, enviada especial ao Festival de Cannes

O primeiro tradicional tapete vermelho de Cannes neste ano terá o diretor francês Michel Hazanavicius e os atores do filme "Coupez!" (Corta!, tradução livre). A nova obra de Hazanavicius, conhecido mundialmente pelo oscarizado "O Artista", abre o festival, mas não faz parte da competição oficial.

O filme de zumbi é uma paródia que promete fazer rir a plateia. Ele se chamava originalmente "Z (como Z)" em homenagem ao gênero cinematográfico da obra, mas o título foi mudado por causa da guerra na Ucrânia. A letra Z é usada como símbolo pelo exército russo no conflito armado.

O Festival de Cannes, em nome do cinema francês, não queria nenhum sinal que pudesse indicar qualquer ambiguidade sobre a posição do evento contra a agressão da Rússia e em solidariedade ao povo ucraniano. Após a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, os organizadores do evento divulgaram uma nota criticando a atitude da Rússia e anunciando que nenhuma delegação oficial de Moscou estaria presente.

Mas Cannes não penaliza os artistas russos e aplaude a coragem de quem ousa protestar contra o presidente russo, Vladimir Putin. Entre eles, está o talentoso Kiril Serebrennikov, selecionado para a competição oficial com "Zhena Chaikovskogo" ("A Mulher de Tchaikovski"). Serebrennikov, que também é dramaturgo e participa em julho do Festival de Teatro de Avignon, pôde sair da Rússia no início da guerra e hoje continua seu trabalho em Berlim.

Um momento de muita emoção em Cannes será, sem dúvida, a exibição na quinta-feira (19) de "Mariupolis 2", filme póstumo do diretor lituano Mantas Kvedaravicius, fora da competição. O cineasta, que havia realizado "Mariupolis" em 2016, voltou à Ucrânia no início da guerra para reencontrar os personagens do seu primeiro documentário, mas foi capturado e assassinado pelo exército russo em Mariupol no início de abril, quando fazia a filmagem. Sua companheira conseguiu deixar a Ucrânia com as imagens que serão exibidas em Cannes.

Corrida pela Palma de Ouro

A competição oficial começa na quarta-feira (18) e 21 longas estão na disputa pela Palma de Ouro. Até sábado, 28 de maio, quando o vencedor será revelado, dois filmes serão exibidos por dia no festival. Além de Serebrenikov, veteranos e nomes consagrados do cinema de autor ou independente, que é a marca de Cannes, foram selecionados.

Entre eles, o canadense David Cronenberg, com "Crimes of the Future" (Crimes do Futuro), os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardanne, com Tori et Lokita (Tori e Lokita), o japonês Kore-eda, com "Broker", ou o americano James Gray, com "Armageddon Time". O longa de Gray é americano, mas tem "DNA brasileiro" aponta o brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, que assina a produção.

O cinema europeu, com 13 longas, sendo quatro franceses, está bem representado na seleção. Nenhum latino-americano integra a lista.

Apenas cinco mulheres foram selecionadas, entre elas, três francesas: Valeria Bruni Tedeschi (que também é italiana), com "Les Amandiers", Claire Denis, com "Stars at Noon", e Léonor Serraille, com "Un Petit Frère". Uma belga - Charlotte Vandermeersch, codiretora de "Le Otto Montagne - e uma americana - Kelly Reichardt, com "Showing Up", fazem parte da restrita lista de diretoras.

Ainda sem favoritos

Ainda é muito cedo para falar de favoritos para suceder ao impactante "Titane", de Julia Ducournau. O júri este ano é, aliás, presidido por Vincent Lindon, um dos atores principais de "Titane". Mas antes de conhecermos os vencedores deste ano, uma primeira Palma de Ouro de honra será entregue na cerimônia de abertura na noite desta terça-feira ao ator americano Forest Whitaker pelo conjunto de sua carreira.

Vale lembrar que a competição oficial é apenas uma das seleções do Festival de Cannes que tem ainda as mostras paralelas Um Certo Olhar, Quinzena dos Realizadores, Semana da Crítica e Cinefondation.

Astros de Hollywood

A expectativa é grande para a participação de Tom Cruise que vem ao Festival de Cannes pela primeira vez em três décadas. Ele vai apresentar o novo "Top Gun: Maverick".

O veterano Tom Hanks desembarca no festival junto com a equipe da cinebiografia "Elvis", de Baz Luhrmann. Tilda Swinton subirá o tapete vermelho ao lado do diretor australiano George Miller, para mostrar "Three Thousand Years of Longing". Esses astros de Hollywood participam de Cannes fora da competição.

Deus e o Diabo na Terra do Sol

O único filme brasileiro selecionado para a edição deste ano do Festival de Cannes é um clássico. "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, será exibido no festival quase 60 anos depois de sua primeira projeção, em 1964, quando a riviera francesa e o mundo descobriam o genial diretor baiano e o Cinema Novo brasileiro. A versão 4k restaurada será apresentada por Paloma Rocha, filha de Glauber.

O 75° Festival de Cannes termina no dia 28 de maio e será acompanhado por 35.000 pessoas credenciadas este ano.